Angra será visitada em março de 2016

A primeira imagem peregrina de Fátima, que na década de 1950 percorreu o mundo e foi entronizada na Basílica de Nossa Senhora do Rosário, iniciou hoje a primeira peregrinação às dioceses portuguesas.

A imagem entrou no recinto do santuário numa viatura que foi benzida na segunda-feira, na qual vai fazer a peregrinação, no momento que antecedeu a procissão do adeus, com que encerram as celebrações religiosas de 12 e 13 de maio.

Na oração que marcou o início da peregrinação da imagem, o bispo de Leiria-Fátima, António Marto, pediu à Virgem para ser “conselho dos que governam e dos que trabalham pela paz” e olhe “para a condição dos que vivem as dificuldades do mundo contemporâneo”.

“Ampara as crianças, os adolescentes e os jovens, sê a esperança dos idosos, a saúde dos enfermos e a esperança dos atribulados”, pediu António Marto, solicitando ainda à Virgem para guiar “os bispos, presbíteros e diáconos de cada igreja particular”, mas também para ser o “alento de todos os consagrados, a “alma de cada família” e a “alegria dos agentes da pastoral”.

Rumo a Viseu, a primeira etapa desta iniciativa, a imagem percorreu depois o corredor central do recinto até à Basílica da Santíssima Trindade, onde à sua passagem se ouviram palmas e os peregrinos acenaram com lenços brancos, repetindo o gesto com que tradicionalmente os fiéis se despedem da Virgem na procissão do adeus.

Em declarações à agência Lusa, o reitor do Santuário de Fátima, padre Carlos Cabecinhas, afirmou que “é a primeira vez que [a imagem peregrina] vai num périplo propositadamente pelas dioceses”.

“A iniciativa da visita da imagem peregrina às dioceses portuguesas nasceu precisamente desta perceção de que, por um lado, a devoção a Nossa Senhora de Fátima é muito grande; por outro lado é Nossa Senhora que vai visitar as comunidades, convidando-as a vir cá em 2016-2017 para a celebração do centenário das aparições”, declarou Carlos Cabecinhas, acreditando que “a recetividade nas comunidades diocesanas será enorme”.

Depois de Viseu, a imagem continua a peregrinação por Braga, Viana do Castelo, Vila Real, Bragança-Miranda, Lamego e Coimbra.

Guarda, Portalegre-Castelo Branco, Setúbal, Évora, Beja, Algarve, Santarém, Lisboa, Funchal, Aveiro, Angra do Heroísmo e Porto são as dioceses que seguem, culminando a peregrinação, dentro de um ano, na diocese de origem, Leiria-Fátima, em maio de 2016.

A imagem entrará nos Açores no dia 6 de Março e sairá no final de Abril permanecendo excecionalmente quase dois meses, muito mais do que o tempo que permanecerá noutras dioceses.

“Nós vamos ter uma discriminação positiva nesta matéria e vamos trabalhar em estreita colaboração com o próprio Santuário, o seu reitor e a Comissão Nacional que está a tratar desta peregrinação por todas as dioceses do país”, disse ao Sítio Igreja Açores, o Porta Voz da Diocese, Cónego Hélder Fonseca Mendes.

A Diocese de Angra vai elaborar o programa interno desta visita, perspetivando-se uma estada da imagem peregrina em todas as 16 ouvidorias que compõem o arquipélago.

“O itinerário diocesano da imagem peregrina vai ser delineado e muito provavelmente será criada uma comissão diocesana que integrará o Movimento da Mensagem de Fátima para coordenar tudo no terreno” precisou, ainda.

Entretanto,  hoje é o dia maior das festividades em honra de Nossa Senhora de Fátima. Na missa que encerra a peregrinação internacional aniversária ao Santuário de Fátima, o cardeal Raymundo Damasceno Assis, do Brasil, disse que o vínculo mais forte entre Portugal e o Brasil é o da fé católica, superando o do idioma.

“Estão unidos, por especiais vínculos de fraternidade, esta querida pátria lusitana e o Brasil, Terra de Santa Cruz. Sem dúvida que o vínculo mais forte é o da fé católica, mais forte, ousaria dizer, do que a língua comum, que nos permite comunicar com facilidade”, disse o cardeal.

Aos milhares de fiéis – segundo o santuário são 210 mil – que se encontram no recinto, este ano com condicionalismos devido à construção de um novo altar, o arcebispo referiu-se à devoção mariana nos santuários de Fátima e de Aparecida.

“Os anos 17 do século XVII e XX são marcados por especiais eventos marianos, lá e aqui. Lá, no Brasil, em 1717 o encontro extraordinário da imagem milagrosa de Nossa Senhora da Conceição Aparecida”, explicou, adiantando que em Portugal, em 1917, ocorreu “a milagrosa aparição de Nossa Senhora aos três pastorinhos”.

Para Raymundo Damasceno Assis, “os detalhes das devoções que se formam são diferentes, aqui e lá, mas é comum o rico e profundo ambiente de oração que se cultiva e cresce”.

Sobre os acontecimentos de Fátima, em 1917, quando o mundo assistia às “atrocidades da 1.ª Guerra Mundial”, o cardeal referiu que “chamam à atenção de um coração humano, o Imaculado Coração de Maria”.

“É do coração humano que brotam as atrocidades, mas é também de um coração humano, todo ele transfigurado pela graça de Deus, que brota a paz”, acrescentou Raymundo Damasceno Assis.

A missa foi concelebrada por 39 bispos e 380 padres, informou o templo onde desde ontem já foram queimadas 29 toneladas de cera.

Durante estes dois dias, foram frequentes as filas de pessoas junto ao tocheiro, onde eram visíveis, por vezes, as labaredas, com os peregrinos forçados a atirar as velas para o local.