Diretora do Serviço Diocesano faz balanço do ano que agora termina e pede maior comunicação entre os vários organismos

O ano pastoral que agora termina foi “sereno” do ponto de vista da pastoral social mas há que intensificar o nível de comunicação entre os vários serviços e institutos diocesanos que lidam com esta problemática.

O desafio é deixado pela diretora do Serviço Diocesano da Pastoral Social, Vitória Furtado, que este domingo participou no programa Igreja Açores.

“Avançamos muito na área das pessoas sem abrigo e na discussão e sinalização das dependências” mas no próximo ano “teremos de intensificar mais os canais de comunicação entre todos”, refere a responsável.

“Registámos em muitas ouvidorias um maior empenho dos sacerdotes na dinamização de iniciativas locais, muitas delas fora até do plano pastoral, mas que foram ao encontro das realidades locais o que é muito importante” e por isso “esta “intensificação da comunicação torna-se ainda mais relevante”.

O serviço criou uma plataforma online de comunicação mas “é preciso ir um pouco mais além” diz Vitória Furtado.

Depois do estudo desenvolvido nas paróquias da diocese, ao qual corresponderam cerca de quatro dezenas, verificou-se que as problemáticas da pobreza, do desemprego, das dependências, do abandono escolar e da delinquência juvenil são os fenómenos sociais que mais preocupam as comunidades e aquelas que mais esforços reclamam para a sua resolução.

“Ao nível da pobreza também verificámos que a diocese está a dar resposta de forma organizada. Ao nível das dependências temos tido uma boa articulação com as entidades oficiais mas depois há outros aspectos, que exigem respostas mais qualificadas, onde a diocese tem de se organizar de forma diferente recorrendo a outro tipo de voluntariado”, reconhece Vitória Furtado.

“Neste domínio social temos de atuar ao nível da raíz dos problemas e não com medidas avulsas que podem escamotear o problema mas não o resolvem. Por isso tudo demora mais tempo”, avança ainda.

O serviço dinamizou com os párocos iniciativas locais de esclarecimento, de sinalização e de concertação de planos de intervenção, nomeadamente no domínio das dependências e da saúde mental.

“São Miguel, pela sua abrangência é um território que carece muito da nossa atenção e que exige permanentemente um reforço da intervenção social, mas há ilhas que estão completamente desprotegidas ao nível da saúde mental, por exemplo e onde temos de intervir de outra forma”, adianta ainda.

A entrevista a Vitória Furtado pode ser ouvida aqui.