Um biblista e um teólogo moral abordaram os problemas da humanidade a partir da Sagrada Escritura

A Ouvidoria da Horta promoveu, este sábado, o segundo momento do 1º Colóquio Bíblico-Teológico na ilha do Faial sobre o tema “A Culpa é de Deus?”, no qual um biblista- Frei Herculano Alves- e um teólogo moralista- Pe. José Júlio Rocha procuraram abordar a partir da Sagrada Escritura e do mundo atual o problema do mal.

Neste encontro, que decorreu no centro pastoral da Igreja do Carmo, na Horta, os oradores refletiram sobretudo sobre o problema moral do Mal, bem como nas situações de violência, terror e sofrimento que atemorizam a humanidade.

O Pe. José Júlio Rocha, professor de Teologia Moral, afirmou que apenas a fé, que nos remete para a espera de Deus, pode ser a tentativa mais completa de resposta ao problema do mal que os homens teimam em fazer fruto da sua liberdade e do seu poder.

A partir de exemplos como Auschwitz e Hiroshima e Nagasaki, o sacerdote que tem uma vasta experiência em capelanias hospitalares, afirmou que “se não houver um Deus, uma autoridade, uma lei, uma regra que me diga `tu fazes isso e não podes fazer aquilo senão és castigado´, não conseguiremos parar pois a maldade do ser humano não tem fundo”.

Quer o Pe. José Júlio Rocha quer Frei Herculano Alves iniciaram as suas reflexões procurando uma definição do que é mal; sublinharam a inexistência do mal enquanto categoria ontológica mas destacaram que, na maior parte das vezes, e apesar do homem não ser essencialmente mau, é a ausência de Deus que leva o homem a praticar o mal.

“O mal vem sempre do coração do outro desde o momento da criação” referiu Frei Herculano Alves para lembrar que o mal deriva do facto do homem se considerar munido de características divinas e se esquecer frequentemente que é uma criatura.

“Jesus é a resposta. O mal não precisa de uma resposta para o compreendermos, mas precisa de uma resposta para o superarmos”, afirmou por seu lado o Pe. José Júlio Rocha salientando que o mal só pode ser superado pelo amor que é eterno. E a história da salvação é para isso que remete: “acreditarmos que a salvação que Jesus nos oferece é onde estiver alguém, na maior tristeza ou alegria, Jesus está lá. Ele não nos abandona, por maior que seja o mal que nos aflija”.

“Crer neste amor de Jesus é um desafio à nossa conversão” disse ainda o teólogo moralista, citando vários exemplos de sofrimento humano como a doença, a morte, a violência, o abandono ou a exclusão social.

“Perante estes dramas a fé diz-nos que o amor é mais forte que a morte, ela não é o último passo é o penúltimo, porque o último é o amor, que terá sempre a última palavra. Esta é a perspetiva de qualquer cristão”; esta é a “resposta ao mal”.

O 1º Colóquio Bíblico Teológico da ilha do Faial abordou “O problema do Mal na Sagrada Escritura; e o sentido cristão da dor” pelo Pe. Herculano Alves. Por seu lado o Pe. José Júlio Rocha abordou duas temáticas “Porque Deus permite o mal e Deus também sofre”.

(Com o Pe. Nelson Pereira)