Por Renato Moura

Estamos a chegar ao fim deste tempo forte de vivência cristã, que foi a Quaresma.

A Igreja pretende que fosse um período de aprender a afastar os empecilhos no caminho para Deus. E segundo o ensinamento de Jesus, o caminho para Deus passa também pelo vivência fraterna com os que estão à nossa volta. Ele prometeu assegurar-nos o perdão, mas na medida em que também perdoarmos os outros.

A Quaresma, como tempo de silêncio para permitir uma reflexão a sério, foi importante na medida em que tivermos aproveitado as oportunidades oferecidas para recordar os ensinamentos de Cristo e principalmente olharmos os exemplos que nos deixou.

Foi um tempo com leituras bíblicas especialmente apropriadas, com retiros, celebrações da Via-Sacra, tudo com um valor que não é para ficar apenas na Quaresma, mas para uma conversão cristã contínua.

Voltou a ser-nos recordado que, em cada Eucaristia, Jesus está presente.

Nesta 6.ª Feira as meditações, no Coliseu de Roma, da Via-Sacra presidida pelo Papa, são propostas pela teóloga francesa Anne-Marie Pelletier, primeira mulher a ser distinguida com o Prémio Joseph Ratzinger, que é considerado como algo semelhante a um Nobel da Teologia. Segundo foi divulgado, as meditações fogem ao esquema tradicional, para lembrar a presença do mal na humanidade.

Para a teóloga é um mundo actual “com todas as suas quedas e os seus sofrimentos, os seus apelos e as suas revoltas, tudo aquilo que clama a Deus, hoje, a partir das terras de miséria ou de guerra, nas famílias dilaceradas, nas prisões, nas barcaças sobrecarregadas de migrantes”, pois, vinca, “são inúmeros os homens, as mulheres e até as crianças abusadas, humilhadas, torturadas, assassinadas, sob todas as dimensões do céu e em cada momento da história”.

Importaria que ficassem, para interiorização e permanente orientação, as seguintes afirmações de Anne-Marie Pelletier: “Era necessário que a doçura de Deus visitasse o nosso inferno; era a única maneira de nos livrar do mal” e que “Jesus trouxesse a ternura infinita de Deus até ao coração do pecado do mundo”.

O nosso Papa também nos instruiu com a seguintes mensagens: “Nesta Páscoa, somos chamados a seguir o exemplo de Nosso Senhor. O maior amor é aquele de quem se entrega sem reservas e dá tudo” e “Queridos irmãos e irmãs, nestes dias, dias de amor, deixemo-nos envolver pelo mistério de Jesus que, como grão de trigo, morrendo nos dá a vida. Ele é a semente da nossa esperança”.

Com desejos de que se viva uma santa Páscoa e que a Ressurreição aproveite a todos.