Entrevista ao presidente da Associação Bíblica Portuguesa, Pe. Mário Sousa

O Pe. Mário Sousa, presidente da Associação Bíblica Portuguesa e pároco de Portimão, na diocese do Algarve, está nos Açores a orientar o retiro da Quaresma aos Seminaristas e segunda feira profere uma conferência no Seminário Episcopal de Angra, às 20h00, intitulada “Em Cristo e como Cristo consagrados no amor para servir um enquadramento bíblico da ordem e do matrimónio”.

Numa entrevista ao programa Igreja Açores, que vai para o ar este domingo, depois do meio-dia, no Rádio Clube de Angra e na Antena 1 Açores, o sacerdote afirma a propósito da vocação e da relação com Deus que “Jesus não quer um clube de fans. Jesus quer gente séria que seja verdadeiramente seus discípulos”.

O sacerdote, que já não é a primeira vez que contacta com seminaristas açorianos, destacou que o grupo atual é, como noutros seminários, “fruto do seu tempo, da formação que é desenvolvida atualmente, das famílias e da sociedade”.

“Isso é bom. Cada geração tem as suas qualidades e as suas debelidades e estes rapazes são fruto do seu tempo porque é para o seu tempo que o Senhor os envia” acrescentou o sacerdote que orienta o retiro até segunda feira.

Sobre a preparação que se faz hoje nos seminários- o Pe. Mário Sousa é professor no Instituto de Teologia de Évora-  afirma que os futuros sacerdotes estarão preparados “sobretudo” para entender os homens do seu tempo.

“O Senhor não envia profissionais da religião mas quer enviar discípulos apaixonados, gente que encontrou um sentido para a sua vida e que não é capaz de guardar isso para si” afirma.

“Só assim tem sentido a consagração. O importante não é a igreja; ela é uma consequência da nossa relação com Jesus e a vocação é uma consequência da nossa amizade com Ele” disse ainda lembrando que sem esta “amizade e intimidade transforma-se numa ideologia”.

Durante a entrevista, o sacerdote algarvio deixa ainda uma outra ideia que se prende com a coerência do testemunho, isto é, a conformidade entre o que se anuncia e o que se faz.

“A Igreja não é uma associação onde nos encontramos para uns rituais, ou nos encontramos para umas sessões. O Senhor quer que o sigamos: vinde atrás de mim e este atrás é mesmo locativo” refere o sacerdote.

“Devemos ir atrás, não ao lado nem à frente, percorrendo o caminho que ele percorre em tudo o que significa” pois o “Senhor quer amigos, isso é o que transforma a vida”.

“É isso que Jesus pede: que se ponham atrás.  Que aprendem dele e com ele , que vivam com ele, para que o que levam aos outros seja fruto de uma experiência de vida e não do conhecimento adquirido; Jesus não quer funcionários quer pastores”, conclui.

A entrevista que vai para o ar este domingo depois do meio dia, no programa de rádio Igreja Açores, a transmitir no Rádio Clube de Angra e na Antena 1 Açores, aborda ainda alguns dos desafios da igreja em geral e para o Pe. Mário Sousa um dos principais desafios é o da linguagem.

“Um dos grandes desafios com que a Igreja se depara é a questão da linguagem. Corremos o risco de estar a usar uma linguagem que já não diz nada. A Liturgia e a pregação precisam de se revestir da linguagem de hoje” afirma lembrando o exemplo de Jesus que foi um mestre também no anúncio.

“Ele não se punha com teorias, contava histórias que toda a gente percebia no seu tempo. Hoje temos de adequar essas histórias à linguagem do nosso tempo. Essa é a grande vantagem da palavra de Deus: é sempre nova”, salienta.

Na entrevista aborda ainda as questões da fé dos jovens; da voragem dos dias que não permitem  o processamento das coisas nem a sua maturação e da necessidade de se aliar ao entusiasmo o tempo de oração e de reflexão necessários para “tomar decisões que tenham em conta a vida no seu todo”.