Depois de uma experiência no sul de Espanha, João Ponte parte para uma nova missão no Chile inserida no “carisma primitivo”

João Ponte, membro do Caminho Neocatecumenal, parte para o Chile, para integrar uma equipa itinerante de catequese do Caminho, respondendo a uma missão “porque foi esta a vontade do Senhor que para já foi isto que me confiou”.

Natural da Lagoa, na ilha de São Miguel, este engenheiro agrónomo, formado em Santarém, vai abraçar uma nova missão “diferente da anterior certamente, desde logo porque vou integrar uma equipa” e é  o segundo açoriano que integra missões do Caminho fora do país, embora “com sentidos diferentes pois uma missão ad gentes é diferente daquela que vou abraçar”, referiu numa entrevista ao Sítio Igreja Açores.

A missa de envio será no sábado no Centro Pastoral Pio XII, em Ponta Delgada, às 21h00,  e será concelebrada por um sacerdote do Caminho, embora presidida pelo Pe Pedro Coutinho, o pároco da paróquia do Cabouco, a cuja comunidade neocatecumenal pertence.

“A minha ida para a missão é puramente um esforço por deixar-me conduzir pelo Senhor, para que se faça na minha vida a Sua vontade”, disse ao Sítio Igreja Açores .

João Ponte integra a comunidade neocatecumenal do Cabouco, ouvidoria da Lagoa e parte em missão, depois de ter estado integrado numa comunidade em Lisboa (a 8ª da Brandoa), e de ter “servido” durante quatro meses no sul de Espanha, mais concretamente em Huelva.

Leigo ativo dentro da igreja- foi acólito e catequista- João Ponte sublinha que “foi depois de ter conhecido este novo carisma da Igreja” que a sua “relação pessoal com Deus mudou”.

“Através deste caminho e dos catequistas percebo que Deus tem um projeto para mim”  e isso “tem-me ajudado a descobrir quem sou, para que vivo e a perceber e descobrir os enganos do demónio na minha vida”, frisa João Ponte, lembrando que a linguagem do Caminho e a “forma como se está no Caminho tem tudo a ver comigo”.

João Ponte é enviado pela sua comunidade no dia 11 de julho mas só partirá a 17 para Santiago do Chile e no dia 20 tem agendada a sua primeira reunião.

“Não sei o que vou encontrar mas não estou nada preocupado. Sei que o Senhor de tudo se encarregará e fará o melhor por mim” diz o jovem que deverá integrar uma equipa de catequistas itinerantes que acompanha as nove comunidades neocatecumenais existentes no país.

Estas equipas, habitualmente são compostas por um casal, por um padre e um jovem leigo. Ocupam-se da “Evangelização pura e dura através das catequeses” de acordo com um itinerário esquematizado pelo Caminho.

“Não consigo antecipar o que posso ou o que vou fazer ao certo nem onde e como vou viver ou sequer do que vou viver. O Senhor se encarregará de tudo e o que tiver é Ele que me dá”, diz.

Questionado como sentiu de novo este apelo para a Missão diz que não consegue explicar; ou melhor, “a escolha não foi minha mas de Deus”.

Sobre o Chile conhece “alguma coisa” mas isso também “não é importante porque o Senhor conduzir-me-á em todos os momentos”, diz ainda lembrando que o espirito “é que deve ser no essencial o mesmo em todas as missões: obediência e respeito pela regra”.

João Ponte reconhece, no entanto que “há tentações e dificuldades” pois “o diabo existe e está sempre ativo. O importante é nós seguirmos a vontade do Senhor e resistirmos às tentações. Esse é o nosso maior testemunho. Se eu Consegui, tu também consegues. É assim que começa a evangelização”, sublinha, reconhecendo que o mundo atual “não se enquadra com qualquer tipo de evangelização”.

“O ruído é demasiado grande. Há muito sofrimento, muita pobreza e muita porcaria. Mas o Senhor não se engana na história que faz e por isso, há que ter esperança”, refere João Ponte.

Vai com bilhete de ida e volta mas “só por causa do visto” pois quando “ se parte para uma missão nunca se sabe quando é que ela acaba”.

“Para já a vontade do Senhor é eu estar no caminho primitivo; a vocação é o carisma primitivo e é essa que eu sigo”. E, questiona: “se Ele aprendeu a obediência pelo sofrimento e morreu crucificado por mim, quem sou eu para não ter sofrimento algum? O segredo está em perceber o que o que Ele me quer dizer com esse acontecimento”, conclui.

O Caminho Neocatecumenal ao “ajudar” os cristãos a “fazerem uma verdadeira iniciação cristã faz com que muitos deles descubram também a sua vocação na Igreja” e “a disponibilidade para a missão aparece nesta caminhada, sobretudo, como uma resposta agradecida às graças de Deus recebidas”, lembra a equipa itinerante de catequistas da Diocese de Angra, aquando do envio de João Ponte para Huelva.

O jovem lagoense é o segundo elemento que as comunidades neocatecumenais dos Açores dão para as missões evangelizadoras. Recordo que em setembro passado, uma açoriana de 25 anos, Sara Ferreira pertencente a uma das três comunidades de São José, partiu para a Mongólia, para uma missão ad gentes.

O Caminho Neocatecumenal nasceu há 50 anos em Espanha, por iniciativa do pintor e músico Kiko Argüello e da missionária Carmen Hernández e é reconhecido pela Igreja Católica como “um itinerário de formação católica válido para a sociedade e os dias de hoje”, assente em três pilares fundamentais: a palavra de Deus, a Eucaristia e a vida em comunidade.

Atualmente o Caminho Neocatecumenal está implantado também em algumas nações tradicionalmente não cristãs, como China, Egito, Coreia do Sul e Japão.

No que respeita à missão ad gentes, o grupo católico conta atualmente com mais de 230 famílias a trabalharem em 52 cidades.

Nos Açores o Caminho Neocatecumenal entrou pela “ mão” de D. António de Sousa Braga, em 2004, e está “instalado” em sete paróquias onde existem 14 comunidades neocatecumenais, nas ilhas de São Miguel (7) e da Terceira(6) e a mais jovem no Pico.