Confirmação de Portugal como país anfitrião das próximas JMJ colocará um desafio à Igreja portuguesa no momento em que os jovens foram desafiados pelo Papa a serem protagonistas

As Jornadas Mundiais de Juventude são um “desafio e um despertar” para a disponibilidade dos jovens e estas não serão exceção tanto mais que acontecem depois do Sínodo sobre os Jovens, a Igreja e a Fé, afirma o Pe. Norberto Brum, responsável pelo Serviço Diocesano da Pastoral Juvenil em declarações ao Igreja Açores.

“A Igreja precisa dos jovens e eles também precisam da Igreja. Temos de os ouvir mas eles também têm de falar” afirma o sacerdote sublinhando este momento de encontro mundial de jovens que é sempre “muito revitalizador”.

A diocese de Angra tem parte dos seus jovens reunidos em jornadas diocesanas, no Faial e no Pico, “também como forma de fazermos a ponte com os participantes nas Jornadas onde não podemos estar”, e no fim de semana, no primeiro Shalom Diocesano, vão rezar pelo sucesso da JMJ do Panamá.

“É no fim de semana que o Papa vai estar mais presente e por isso vamos acompanhar de perto as suas palavras e os desafios que nos quer colocar. Teremos essas intenções e esses momentos bem presentes no nosso encontro”, referiu o sacerdote ao Igreja Açores.

“Procuraremos trazer esta espiritualidade própria dos encontros de juventude, partilharmos experiências e transpor estas vivências naquilo que é a vida e o quotidiano dos jovens da nossa diocese” acrescentou.

“No último Sínodo a Igreja desafiou os jovens a serem protagonistas por isso as nossas jornadas chama-se Ser + não em quantidade, o que também é importante, mas sobretudo em qualidade e em disponibilidade” refere o Pe. Norberto Brum.

“O que é que cada um de nós pretende ser na relação com Jesus, na relação com o outro, na relação com a nossa comunidade, com a nossa família…” este é o desafio de partida, interpela o sacerdote destacando que é da resposta a esta questão que nasce o protagonismo dos jovens.

Os participantes na Jornada Mundial da Juventude vão assistir, entre hoje e sexta-feira, a catequeses feitas por 380 bispos, incluindo seis portugueses.

As catequeses vão ser apresentadas em 25 idiomas e os temas propostos decorrem do lema da 34ª JMJ, «Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua Palavra».

“Este pergunta: que Maria somos em cada uma das nossas ilhas também é muito desafiadora e está presente nas nossas reflexões” acrescenta ainda. E, depois, “estamos muito expectantes em relação ao anuncio que o Papa fará relativamente ao próximo país anfitrião. Acreditamos que seja Portugal e isso será muito desafiador para todos jovens e igreja em geral pois no momento em que os jovens. São desafiados a serem protagonistas também a Igreja portuguesa é desafiada a um grande protagonismo”, refere.

ECOLOGIA E TECNOLOGIA no arranque das Jornadas

A Jornada Mundial da Juventude (JMJ) que a Igreja Católica promove a partir de hoje no Panamá lançou aos participantes propostas ligadas à Ecologia e Tecnologia, com apelos aos líderes políticos para a defesa do ambiente.

Mais de 1000 voluntários internacionais da JMJ 2019, que se realiza pela primeira vez na América Central, retiraram restos de madeira, plásticos, pneus, colchões, tecidos, sapatos e outro lixo, na Praia Malecon.

O gesto somou-se à conferência “Ecologia e JMJ”, que decorreu no Centro Internacional de Imprensa Atlapa, concluída com a publicação do manifesto “Conversão ecológica em Ação”.

“Precisamos de um líder para uma revolução ecológica e esperamos que o líder seja o Papa Francisco”, disse aos jornalista o padre Joshtrom Kureethadam, do Dicastério para o Serviço de Desenvolvimento Humano Integral (Santa Sé).

As mensagens do Papa inspiram o manifesto ecológico da JMJ, com desafios concretos, como o de levar 100% dos edifícios da Igreja Católica a aderir às energias renováveis, até 2030, ou o cumprimento dos acordos internacionais, por parte dos vários Estados.

Os participantes na JMJ do Panamá são também desafiados a visitar o Parque Cristonaut@s, “um espaço que usa a tecnologia para oferecer novas experiências espirituais e um novo modo de evangelização”.

O parque inclui uma seção feita pela Fundação Ramón Pané, conhecida especialmente pelo jogo ‘Follow JC Go’, inspirado no ‘Pokemon Go’ e desenhado a pensar precisamente na JMJ.

O presidente da fundação Ricardo Grzona, refere à organização do evento que quis “usar os meios modernos, que são as novas linguagens da juventude, para apresentar o único Evangelho que existe.

A tenda da Fundação Ramón Pané oferece ainda experiências em 4-D, usando óculos de realidade virtual, com mensagem religiosa; a Vive Studios apresenta, por sua vez, um breve vídeo com trechos d0 seu filme de realidade virtual “7 Miracles” (sete milagres), dirigido por Rodrigo Cerqueira, que coloca o espectador diante de Jesus em episódios do Evangelho segundo São João

380 BISPOS (6 PORTUGUESES) FAZEM CATEQUESES EM 25 IDIOMAS

Os participantes na Jornada Mundial da Juventude vão assistir, entre hoje e sexta-feira, a catequeses feitas por 380 bispos, incluindo seis portugueses.

As catequeses vão ser apresentadas em 25 idiomas e os temas propostos decorrem do lema da 34ª JMJ, «Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua Palavra».

Esta quarta-feira, os bispos portugueses que fazem as catequeses são o cardeal-patriarca de Lisboa e o bispo de Coimbra; D. Manuel Clemente vai esta na Paróquia de Cristo Rei e D. Virgílio Antunes na Escola Pedro J. Sosa.

Na quinta-feira são apresentadas quatro catequeses por bispos de Portugal: D. Manuel Felício, bispo da Guarda, no Templo de São João Batista de La Salle e Santa Mónica, D. José Cordeiro, bispo de Bragança-Miranda no Templo São Pio Pietrelcina; D. Joaquim Mendes, bispo auxiliar de Lisboa e presidente da Comissão Episcopal Laicado e Família, na igreja de Nossa Senhora de Lourdes; e D. Nuno Almeida, bispo auxiliar de Braga, no Templo Cristo Filho do Homem.

A delegação de Portugal à Jornada Mundial da Juventude vai realizar um encontro entre todos os participantes na manhã do dia 25, sexta-feira.

De acordo com Departamento Nacional da Pastoral da Juventude (DNPJ), participam na JMJ 300 portugueses de 12 dioceses e quatro movimentos, acompanhados por seis bispos e 30 voluntários.

O Departamento de Comunicação da JMJ divulgou hoje dados oficiais sobre o número de participantes, indicando que estão inscritos mais de 100 mil peregrinos de 156 países; 480 bispos fizeram a sua inscritção e até agora chegaram ao Panamá 48%.

O Departamento de Comunicação refere também que estão acreditados 2500 jornalistas e 20 mil voluntários do Panamá estão ao serviço da Jornada Mundial da Juventude e 2445 de diferentes partes do mundo, nomeadamente Colômbia, Brasil, Costa Rica, México, Polónia e Portugal.

“FIESTA” NA ABERTURA DAS JORNADAS

A Jornada Mundial da Juventude iniciou com uma Missa presidida pelo arcebispo do Panamá e a sua realização no ambiente tropical de um pequeno país da América Central mostra a capacidade que tem de “sonhar grandes coisas”.

“Estou convencido, e digo-o do meu coração e com a minha experiência: a partir desta Jornada Mundial da Juventude, nenhum pobre e nenhum pequeno há de ter medo de sonhar grandes coisas”, afirmou D. José Domingo Ulloa Mendieta.

A Missa de inauguração da JMJ foi celebrada, no Campo de Santa María La Antigua, nas margens do Oceano Pacífico, a que se seguiu a inauguração do Festival da Juventude, com iniciativas ao longo de toda a jornada.

Segundo o Comité Organizador Local (COL) da JMJ, participaram na Missa de Abertura 75 mil pessoas, entre jovens, sacerdotes e bispos.

No fim da celebração, o arcebispo do Panamá agradeceu a todo os jovens presentes, sublinhou que a cidade se transformou na “capital da juventude do mundo”, mostrando que todos devem continuar “a sonhar”.

“É uma grande verdade que nos dá esta jornada: a possibilidade que os pobres e os pequenos continuem a sonhar. E acreditamos que nada pode mandar nos nossos sonhos. É possível um mundo novo, uma Igreja nova”, disse D. Ulloa.

Os jovens que participaram na Missa manifestaram sintonia com a certeza do arcebispo do Panamá e de forma ainda mais entusiasta o fizeram quando ele se referiu à presença do Papa Francisco para “a confirmar”.

A Missa foi animada por um coro e orquestra, formados por centenas de jovens de diferentes países do mundo, nomeadamente da América Central, marcada por ritmos tropicais e a cultura musical campesina do país.

No momento do ofertório, mulheres vestidas de acordo com as festas panamianas levaram ao altar os dons para a celebração da Eucaristia.

O Campo de Santa María La Antigua foi o local para a celebração da Missa de abertura da Jornada Mundial da Juventude, a que se seguiu o início do Festival da Juventude; vai ser também neste sítio que os jovens vão dar as boas-vindas ao Papa Francisco, na tarde de quinta-feira, onde preside à via-sacra, na sexta-feira.

PAPA FALA EM REVOLUÇÂO DO SERVIÇO

Na mensagem enviada antes de chegar ao Panamá,  através do YouTube, o Papa propôs aos jovens de todo o mundo, crentes e não crentes, uma “revolução do serviço”.

“A nossa vida só encontra sentido no serviço a Deus e ao próximo”, refere, numa intervenção divulgada em novembro, pelo Vaticano.

Francisco assinala que “há muitos jovens, crentes ou não crentes”, que, no final dum período de estudos, mostram “desejo de ajudar os outros, fazer algo pelos que sofrem”.

“Esta é a força dos jovens, a força de todos vós, que pode transformar o mundo; esta é a revolução que pode desbaratar os «poderes fortes» desta terra: a «revolução» do serviço”.

O Papa vai chegar ao Panamá esta quarta-feira, para presidir aos momentos conclusivos da JMJ 2019.

O Vaticano sublinha, em comunicado, que esta foi a primeira vez que a mensagem pontifícia para a JMJ é publicada “principalmente” em formato de vídeo, “para que possa chegar ao maior número possível de jovens e responder ao seu desejo, manifestado por ocasião do recente processo sinodal, de comunicar com a Igreja através de formas mais próximas da sua linguagem”.

A mensagem conclui um ciclo de três textos centrados na figura da Virgem Maria que o Papa apresentou aos jovens, no caminho para a JMJ 2019.

“Queridos jovens, tende a coragem de entrar, cada um, no próprio interior e perguntar a Deus: Que quereis de mim? Deixai que o Senhor vos fale, e vereis a vossa vida transformar-se e encher-se de alegria”.

Francisco afirma que Maria foi uma “mulher feliz”, porque foi “generosa com Deus”.

“As propostas de Deus para nós, como a que fez a Maria, não são para apagar sonhos mas para acender desejos; para fazer com que a nossa vida dê fruto, faça desabrochar muitos sorrisos e alegre muitos corações. Responder afirmativamente a Deus é o primeiro passo para ser feliz e tornar felizes muitas pessoas”, acrescenta.

O Papa sustenta que, para colocar-se ao serviço dos outros, não basta estar “pronto para a ação”, mas é preciso também “entrar em diálogo com Deus”.

“A partir deste relacionamento com Deus no silêncio do coração, descobrimos a nossa identidade e a vocação a que nos chama o Senhor; a vocação pode expressar-se em várias formas: no matrimónio, na vida consagrada, no sacerdócio”, precisa.

As JMJ nasceram por iniciativa de São João Paulo II, após o sucesso do encontro promovido em 1985, em Roma, no Ano Internacional da Juventude.

Este é um acontecimento religioso e cultural que reúne jovens de todo o mundo durante uma semana.

Cada JMJ realiza-se, anualmente, a nível diocesano no Domingo de Ramos, alternando com um encontro internacional a cada dois ou três anos numa grande cidade: em 1987, Buenos Aires (Argentina); em 1989, Santiago de Compostela (Espanha); em 1991, Czestochowa (Polónia); em 1993 em Denver (EUA); em 1995, Manila (Filipinas); em 1997, Paris (França); em 2000, Roma (Itália); em 2002, Toronto (Canadá); em 2005, Colónia (Alemanha); em 2008, Sidney (Austrália); em 2011, Madrid (Espanha); Rio de Janeiro (Brasil), em 2013; e Cracóvia (Polónia), em 2016.

As duas últimas edições internacionais foram presididas pelo Papa Francisco.

 

(Com Ecclesia, Lusa e Vatican News)