Lançamento de livro celebra 25 anos de devoção ao Divino Espírito Santo em Vila Franca do Campo

Obra foi apresentada pelo biso de Angra

Foto: Igreja Açores/CR

Decorreu hoje, no auditório da Escola Básica e Secundária Armando Côrtes-Rodrigues, a apresentação da obra “Irmandade Divino Espírito Santo da Mãe de Deus… 25 anos a servir”, um livro que assinala um quarto de século de dedicação, fé e serviço comunitário da autoria de Carlos Vieira.

O evento reuniu membros da irmandade, fiéis e convidados, num momento marcado pela valorização da identidade religiosa e cultural de Vila Franca do Campo e dos Açores como um todo.

A obra foi apresentada por D. Armando Esteves Domingues, que descreveu o livro como “um filho que, ao ser apresentado, ganha vida nova”, destacando a sua linguagem acessível, riqueza de histórias e dimensão de reflexão teológica.

O livro propõe uma abordagem simples e profunda ao mistério do Espírito Santo.

O objetivo foi “explicar de forma clara aquilo que muitas vezes se sente, mas nem sempre se compreende”, recorrendo a testemunhos de antigos mordomos, familiares e membros da comunidade.

A obra percorre a história da irmandade, fundada a 16 de abril de 2001 por João José Arruda, e posteriormente liderada por Elias Raposo Sardinha, responsável pela conclusão da sede inaugurada em 2004. Com raízes que remontam a cerca de três séculos, este império é considerado um dos mais antigos dos Açores, ligado à Casa da Mãe de Deus e à família Botelho de Gusmão.

Ao longo dos anos, a irmandade tem mantido como lema o serviço ao Espírito Santo, traduzido em ações concretas de solidariedade. Só em 2025, foram distribuídas cerca de 900 pensões, num claro sinal do compromisso com os mais necessitados. A ligação à Igreja permanece forte, sendo tradição a realização do tríduo preparatório da festa do Pentecostes.

Durante a apresentação, várias intervenções sublinharam o papel central do Espírito Santo na vivência da fé açoriana.

O bispo de Angra destacou que “o Espírito Santo não tem rosto nem corpo: experimenta-se, não se vê. É Deus vivo em nós, é o amor”. Sublinhou ainda que a obra pretende ser também um “manual” acessível sobre esta dimensão espiritual.

A narrativa do livro inicia-se com o milagre do Espírito Santo associado à construção da igreja, evocando Santa Isabel de Portugal como figura central, e conduz o leitor por tradições como a procissão de coroação. Destaca-se ainda o papel da mulher como símbolo de união e congregação, numa visão onde o Espírito Santo é também entendido no feminino.

Para Graça Ventura, presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, que também usou da palavra nesta sessão de lançamento, a obra constitui “uma homenagem à fé de um povo”, enaltecendo o percurso de Carlos Vieira como exemplo de devoção, humildade e serviço.

Mais do que um registo histórico, o livro surge como um novo impulso para a vivência comunitária, reforçando a ideia de que as práticas devocionais devem traduzir-se em ações concretas junto dos mais pobres. Num mundo marcado pela indiferença, a mensagem do Espírito Santo é apresentada como um modelo de fraternidade, partilha e comunhão, afirmou, ainda, D.Armando Esteves Domingues.

O lançamento terminou com um apelo à continuidade desta tradição única, que muitos consideram fazer dos Açores um verdadeiro “paraíso do Espírito Santo”, onde a fé se renova e se vive intensamente através das suas gentes.

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