Pelo Pe. Carlos Simas*

Falar de advento é, de certa forma, falar de esperança da qual a Igreja se alimenta. A esperança de uma vivência que Jesus nos pede a experimentar no dia-a-dia da nossa existência.

O Advento é o primeiro tempo do Ano Litúrgico, quatro semanas que antecedem o Natal, que convida os cristãos a mergulharem num ciclo de esperança onde os apelos são: estar atento, desperto e vigilante, e com alegria no coração de modo a prepararmos a vinda de Deus que nos visita. Desta forma Deus, com a sua peculiar pedagogia, foi-se revelando até à «plenitude dos tempos» (Gl4,4). Encaminha a humanidade para o Messias prometido, que por sua vez, nos entrega nos braços do Pai revelado por Ele próprio. Da Encarnação de Jesus, nasce a mais profunda expressão da misericórdia do nosso Deus, a quem chamamos pelo nome de «Abba!» – Pai!

A palavra que brota naturalmente no Advento é o “Maranatha” – Vem Senhor! Palavra de origem aramaica que nos impulsiona para a visita de um Senhor que veio e continua a visitar o seu povo ao longo de toda a história (1 Cor 16,22; Ap 22,20), até ao fim dos tempos (Mt 28,20). Esta ideia está bem patente no discurso apocalíptico com o qual se irá revestir o I domingo do Advento.

Desta forma, o Advento transpõe as barreiras da simples experiência cultual e invade toda a vida do cristão fazendo-o mergulhar numa esperança escatológica. Ao pegar no convite de João Batista “Preparai os vossos caminhos” (Lc 3,4), que vamos escutar nos II e III domingos do Advento, este traduz-nos um constante e permanente convite à vigilância que nos estimula a pôr em prática uma espera ativa e eficaz.

Em todo o meio católico, em todas as ouvidorias, tal como aquela que está à minha responsabilidade, todas as celebrações eucarísticas são preparadas por forma em que cada comunidade, no seu todo, porque a caminhada cristã nunca se faz sozinha, continue a viver, num sentimento de esperança, com uma atitude de vigilância preparando o seu coração de modo a que o nosso hoje seja melhor do que o nosso ontem. Isto é, com certeza, entrarmos na dinâmica do “maranatha” da Igreja, com a consciência de que esta é a noiva, que se adorna, ou seja, que se prepara numa espera fiel, para o encontro com o noivo, o Senhor que nos vem visitar.

Esta caminhada já tem uma essência tão significativa e desafiante que cada cristão, aberto às ‘propostas do Reino’ se sentirá tão desconcertante que se deixará contagiar pelo verdadeiro anuncio e pelo esperançoso grito do Advento – Maranatha!

O apelo à caridade, neste tempo, é muito forte, é um debruçar numa lógica de Igreja que partilha com aquele que nada tem, com o que mais sofre, com o que vive na solidão.

O Advento é, de forma única, um desafio que nos desconcerta no “aqui e agora” da nossa vida porque, ser fiel a Deus, ser cativado pela esperança é, abrir as portas do nosso coração àqueles que precisam do nosso perdão. Como cristão, não posso chegar às portas do Natal sem ter retribuído um abraço, uma palavra de fé, uma atitude de esperança, um ato de Amor, porque ninguém tem de esperar só o Senhor que vem!

Maranatha! Vem Senhor, Jesus!

 

 

*Ouvidor dos Fenais da Vera Cruz