Por D. José Bettencourt*

Para muitos dos países do mundo, a relação diplomática mais antiga é com o papado, a entidade diplomática mais antiga do mundo. As relações entre a Igreja de Roma e a Arménia remontam às origens do Cristianismo, há 2.000 anos, quando a fé em Jesus se espalhou de Jerusalém para o “mundo conhecido”, onde encontros e intercâmbios comerciais e culturais entre povos tornaram-se ocasiões de “significado” para a vida e a existência. A Arménia foi a primeira nação a tornar-se crista.         Ao longo dos séculos, a relação tão longa e rica entre a Arménia e a Santa Sé continuou a fortalecer-se, tanto que em 2021 uma Nunciatura Apostólica (Embaixada da Santa Sé) foi inaugurada na Avenida Norte em Erevã.

As relações diplomáticas oficiais entre a Santa Sé e a República da Arménia começaram a 23 de maio de 1992, quando a República da Armênia conquistou a independência. A Santa Sé nomeou o primeiro Núncio Apostólico (Embaixador) na Arménia, na pessoa de H.E. Mons. Jean-Paul Aimé Gobel (1993-1997, de origem francesa), seguido por H.E. Mons. Peter Stephan Zubriggen (1998-2001, de origem suíça), H.E. Mons. Claudio Gugerotti (2001-2011, de origem italiana), H.E. Mons. Marek Solczyński (20011-2017, de origem polaca) e H.E. Mons. José A. Bettencourt (desde 2018 até hoje, de origem portuguesa – açoreana). Desde o estabelecimento das relações diplomáticas formais com a República da Armênia, a Santa Sé tem mantido continuamente agentes diplomáticos no país, junto com outras iniciativas e canais de várias instituições católicas.

Ao longo dos anos, a relação entre a Santa Sé e a Armênia concretizaram-se com o trabalho e a presença da Congregação Mechitarista, as Irmãs Armênias da Imaculada Conceição, do clero do Ordinariado para os Católicos de Rito Armênio na Europa, as Irmãs da Caridade de Madre Teresa em Spitak e em Erevã, os Padres Camilianos no hospital “Redemptoris Mater” de Ashotzk, construído após o catastrófico terremoto de 1988 (causando mais de 80,000 mortos no norte da Armênia), e da Caritas Armênia. Estes representam realidades católicas que contam com os recursos e apoios da Igreja Católica de todo mundo. Ao longo dos anos, estas instituições católicas na Armênia também deram um valioso apoio à missão dos agentes diplomáticos da Santa Sé no país. Desde sempre, os Núncios Apostólicos sempre puderam contar com a generosidade e o apoio dos Arcebispos Arménio-Católicos que se sucederam no Ordinariado com sede em Guiumri.

Em 2019, durante a sua visita à Armênia, o Arcebispo Monsenhor Paul Richard Gallagher, Secretário para as Relações com os Estados, afirmou que: “a intenção de todas as comunidades católicas presentes na Armênia – a do rito Armênia-Católica, a de rito romano e aquelas de outros ritos – é trabalhar pelo bem-estar da sociedade armênia como um todo. Nossas comunidades continuam a fazê-lo por meio de suas atividades nos campos espiritual, cultural, educacional, caritativo e humanitário “(comunicado à imprensa, 9 de novembro de 2019 no Ministério das Relações Exteriores, Erevã).

A inauguração da sede da Nunciatura Apostólica na Avenida Norte, no centro da baixa de Erevã, representa uma locação temporária em vista de um arranjo mais amplo, a fim de ter espaço suficiente para sustentar adequadamente os múltiplos compromissos da missão da Santa Sé e da Igreja Católica na República da Armênia. Enquanto a Santa Sé celebra os 30 anos de relações diplomáticas bilaterais oficiais com a República da Armênia, a Santa Sé, assim como faz por toda parte, busca construir um relacionamento próspero para o benefício de todos.

*D. José Avelino Bettencourt é o Núncio Apostólico da Santa Sé na Arménia, Azerbaijão e Geórgia. Este é o segundo de uma série de três artigos, nos quais reflete sobre a Diplomacia do Vaticano a partir da sua experiência como Núncio em países com história, mas onde os católicos constituem hoje uma minoria.