Além da assessoria, o grupo hoteleiro vai financiar os projetos de musealização do Museu bem como a intervenção  e conceptualização do espaço do Museu

O Museu de Arta Sacra da Horta e o grupo hoteleiro LuxMundi, responsável pela transformação do antigo Quartel do Carmo, contíguo ao Convento da Ordem Terceira do Carmo, numa unidade hoteleira, acabam de assinar um protocolo de cooperação, que permitirá o financiamento e a assessoria para a instalação definitiva das várias coleções e acervo patrimonial do Museu.

O grupo, que irá fazer um investimento de cerca de 7,5 milhões de euros na cidade da Horta, propõe-se também ajudar financeiramente o Museu de Arte Sacra da Horta na sua instalação, concedendo assessoria técnica e financeira aos projectos de musealização bem como assessoria para a elaboração de uma candidatura a fundos regionais.

“Esta parceria vai permitir que o Museu consiga ter acesso a meios financeiros, equipamentos e know how que de outra forma não teria seriam viáveis”, refere ao Igreja Açores o Diretor do futuro Museu, padre Marco Luciano Carvalho que sublinha “ganhamos todos”.

“Existe já um outro protocolo entre as duas entidades que prevê que os hóspedes do futuro hotel possam ter acesso direto ao Museu, à Igreja e a uma das torres que garante uma vista panorâmica da ilha e, em contrapartida, o grupo fará algumas obras de recuperação do edifício da Igreja do Carmo na zona sul”.

As obras deverão começar no final deste ano, segundo informação avançada pelo padre Marco Luciano Carvalho que garante que, independentemente deste cronograma agora definido espera ter as primeiras salas do Museu prontas entre janeiro e fevereiro de 2021, nomeadamente, as salas que abarcam o espólio do flamengo e do barroco e que são compostas maioritariamente por peças de estatuária, ourivesaria, paramentaria e alguma pintura.

O futuro Museu de Arte Sacra da Horta irá distribuir-se por quatro salas e pela própria Igreja do Carmo, um edifício amplo e que tem estado a ser restaurado pela Ordem Terceira do Carmo, com o apoio de entidades públicas nomeadamente autarquia e Governo Regional.

O futuro museu irá juntar o património da Ordem Terceira do Carmo, Ordem Terceira de São Francisco e outras peças, diocesanas e da ilha do Pico. Este Museu integrará também algumas peças do espólio pessoal de Monsenhor Júlio da Rosa que se encontram à guarda da Matriz do Santíssimo Salvador, da Horta.

Este espólio tem muitas peças de estatuária, ourivesaria e paramentaria, de entre as quais se destacam uma coleção de esculturas flamengas do século XVI e outras estátuas religiosas dos séculos XVII e XVIII, talha dourada, azulejaria e pintura. Realça-se, ainda, o mobiliário sacro, a paramentaria do século XVIII e as pratas dos séculos XVI, XVII e XVIII.

Dentro de duas semanas estará escolhido o espólio que vai integrar as primeiras exposições e quando o Museu abrir as suas portas a Igreja só abrirá ao culto aos domingos, para a celebração da missa das 9h00. A Igreja integrará o projecto museológico e acolherá a coleção de Imagens da Penitência e da Paixão dos franciscanos, bem como as imagens do Triunfo da Ordem Terceira do Carmo.

“Cremos que esta iniciativa será útil para o crescimento e desenvolvimento do Turismo Religioso dos Açores que, devido à sua história e matriz cristã, reunirá um rico património religioso que importa ser valorizado e potenciado” refere o sacerdote em declarações ao Igreja Açores.

“Está mais que provado que o turismo religioso é um dos produtos que mais podem contribuir para o aumento dos fluxos turísticos em períodos que não coincidem com a época alta, atraindo visitantes de mercados não tradicionais”, complementa, lembrando que esta articulação com um grupo hoteleiro, com experiência em unidades hoteleiras em Lisboa ou Fátima, pode “ser uma mais valia”.

Neste sentido, a criação de um Roteiro de Arte Sacra nas Ilhas do Triângulo, é também um dos grandes objetivos do Museu de Arte Sacra da Horta.

Esta futura Rota das Igrejas, Conventos e Ermidas do triângulo  integrará  entre outras as Igrejas de Santa Maria Madalena, São Roque do Pico, São Pedro de Alcantara e Lajes do Pico terminando no Santuário do Senhor Bom Jesus e, no Faial, integraria a Matriz da Horta, a igreja do Carmo e o Convento de São Francisco. Nelas pretende-se que além dos espólios musealizados os visitantes possam contactar com as próprias peças que estão ao serviço do culto

 

Altar Mor da Igreja do Carmo vai ser colocado

 

O projeto de colocação do Altar Mor da Igreja do Carmo, aprovado pela Comissão Diocesana dos Bens Culturais, vai avançar já em janeiro. Depois de todos os pareceres positivos a intervenção vai ser possível devido a um mecenas que financiou a 100% a recuperação do altar. A obra não implicará o encerramento da Igreja, garantem os seus responsáveis.