Por Monsenhor José Medeiros Constância*

Em pleno Tempo Pascal celebramos a 9 e 10 de Maio, neste ano de 2021, as festas em honra do Senhor Santo Cristo dos Milagres no seu Santuário.

Como estamos em Pandemia, as mesmas são celebradas de uma maneira espiritual e à distância, como afirmou o nosso Reitor.

A nossa Diocese tem cinco Santuários: três cristológicos centrados em Cristo e dois marianos ligados a Nossa Senhora. As paróquias são todas lugares fundamentais na Pastoral Diocesana, mas os Santuários com as suas Igrejas são muito queridos do nosso povo e de grande importância na evangelização hoje. Agora todos e tudo em contexto pandémico.

A importância eclesial dos Santuários levou a que nos últimos anos (excepto na pandemia) os Reitores dos Santuários dos Açores se reunissem em encontros de reflexão, partilha pastoral e de trabalho concertado a concretizar.

Os Santuários têm todos a mesma definição eclesial, embora com as suas originalidades e especialidades próprias.

O nosso Santuário do Santo Cristo está orientado e edifica-se no trabalho de cada dia no tripé: Acolhimento, Espiritualidade e Formação.

Acolhimento: é a primeira preocupação a todos os peregrinos que se dirigem ao “Campo do Senhor” à Igreja Santuário, ao Convento da Esperança.

O acolhimento faz-se a todas as pessoas vindas de todas as partes dos Açores, da diáspora e do mundo inteiro.

As pessoas dirigem-se para rezar, celebrar e receber o perdão do Senhor. Outras contatam com os serviços do Santuário, de diferentes maneiras e meios. a expressarem as suas intenções de ação de graças e os pedidos em aflições. Há também quem bata à porta do Santuário a manifestar as suas necessidades materiais. Nesta hora de pandemia ainda mais.

A resposta ao acolhimento no Santuário é dado na graça da Eucaristia, dos Sacramentos e bênçãos, no perdão da reconciliação, no aconselhamento espiritual e também materialmente, no que é possível, através do serviço sócio-caritativo realizado pela Irmandade do Santo Cristo e por ajudas deste lugar sagrado, sobretudo à Cáritas local.

O acolhimento que agora é feito irá crescer em formas e em estruturas físicas pelas obras ali a realizar, para que se responda, ainda mais de uma maneira atual, às exigências que se coloca hoje

Espiritualidade é outro pé do tripé na ação do nosso Santuário. Ele foi desde sempre um centro de piedade popular e de espiritualidade cristã. A espiritualidade acontece no silêncio, no acolhimento e recolhimento espiritual, nos tempos de formação espiritual e nas celebrações.

A piedade popular e as formas de espiritualidade necessitam sempre de esclarecimento e de purificação em ordem a uma incarnação na vida real.

Oxalá que terminado o confinamento e a pandemia na Igreja e no Convento, de uma maneira ainda mais valorizada, se possa contribuir para uma piedade que não fique só no religioso, mas entre cada vez mais no evangelho. Sem deixar de acompanhar a espiritualidade do povo e dos grupos cristãos em geral, há necessidade de uma espiritualidade que contribua para que todos os peregrinos tenham um maior compromisso na transformação cristã do mundo.

Formação: Se as paróquias, movimentos eclesiais e serviços pastorais devem seguir a Caminhada Sinodal nas exigências diocesanas de uma formação para todos, muito mais os Santuários, o nosso Santuário deve realizar uma formação em ordem à missão.

Na proclamação da Palavra de Deus, em aprofundamento em reuniões formativas, em cursos, encontros-debates, em simpósios, procuramos no Santuário e no futuro ainda mais, utilizar estes meios para que se responda as razões claras pelo qual o cristão tem fé e esperança hoje e para o tratamento especializado de temas específicos da religiosidade popular e fé, da cultura, ciência e fé e vice versa e ainda sobre a responsabilidade social da Igreja num mundo plural e global.

Seja-me permitido referir aqui o grande apoio económico que o Santuário dá á formação e vida do nosso Seminário Diocesano e á preparação dos seus futuros professores e educadores.

Quem conhece por dentro a estruturação pastoral do nosso Santuário sabe que o seu organograma integra: a Equipa de Coordenação Pastoral (com Leigos, Religiosas e Padres) a Equipa da Formação, em parceria com o Instituto Católico de Cultura, o Conselho para os Assuntos Económicos, a Irmandade do Santo Cristo, as Religiosas, os Voluntários cristãos permanentes e ocasionais, os trabalhadores-funcionários e o Serviço da

Reitoria onde os Padres exercem no serviço da síntese, a orientação ministerial do Santuário. Isto é que é o todo a que chamamos Santuário.

De mãos dadas, ainda mais após a pandemia, queremos que este Centro de Vida Cristã que tem mais de trezentos anos e sessenta e dois de nomeação canónica como Santuário, contribua de mãos dadas com as Paróquias da Cidade, da Ouvidoria de Ponta Delgada e da Ilha para um futuro feliz e mais apostólico da Igreja nos Açores que dentro de catorze anos (2034) celebrará meio milénio da sua história, ou seja, os quinhentos anos da sua fundação como Diocese, no mesmo ano em que o Santuário do Santo Cristo celebra 75 anos da sua criação.

*Monsenhor José Constância é vice-reitor do Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres