Por Tomaz Dentinho

A Real Academia para as Ciências da Suécia decidiu atribuir o Prémio Nobel de Economia de 2019 a três laureados: Abhijit Banerjee, indiano, a trabalhar no MIT, Esther Duflo, francesa, também do MIT e Michael Kremer, americano, do outro lado do rio, em Harvard, pela sua abordagem experimental para redução da pobreza global. Os seus contributos parecem relevantes na melhoria da educação e da saúde das crianças.

O que nos ensinam a perceber é como os incentivos, a informação e as restrições comportamentais moldam o comportamento humano. Por outro lado, explicitando os instrumentos de política na análise microeconómica conseguem identificar falhas de governo e de mercado possibilitam a orientação de políticas e a potenciação de sucessos. Há várias conclusões relativas à educação que vale a pena relevar:

Primeiro, os esforços adicionais por parte do Estado podem promover desinvestimento no esforço despendido pelos pais na educação dos filhos. Parece óbvio, mas muitas vezes fazemos o contrário e deixamos que o Estado seja o responsável efetivo da educação dos nossos filhos. Alguns até pensam que o Estado se deve sobrepor aos pais na educação dos filhos.

Segundo, até ao trabalho destes autores estimávamos a rentabilidade dos anos de educação com o Modelo de Mincer. Há um trabalho publicado pelo David Bedo, pelo José Cabral Vieira e por mim na Revista Portuguesa de Estudos Regionais que estima essa rentabilidade para os Açores em 8% ao ano, maior do que muitos outros investimentos privados. No entanto não se trata apenas de anos de educação, mas qualidade de educação e essa não é tratada apenas com anos de escolaridade sendo importante analisar a qualidade que contém.

Terceiro, os incentivos aos professores pelas notas conseguidas pelos alunos em exames globais melhoram o desempenho dos alunos nesses exames, mas não tem grande efeito nos exames que não contam para calcular os incentivos. É então necessário que os incentivos estejam ligados a todas avaliações designadamente à melhoria dessas avaliações.

Quarto, os alunos não aprendem mais por dias suplementares de aulas, por compêndios novos nem com professores que ensinam matérias muito acima daquilo que os alunos já sabem. Mas aulas de recuperação para os piores alunos e apoio em jogos de computadores ligados à matéria parecem ter bons resultados.

Quinto, a ideia de que poucos alunos por turma melhora o desempenho não é provada e a política de separar turmas entre maus e bons alunos não parece defensável porque os maus alunos ficam pior do que estavam e os bons alunos não melhoram muito mais. A menos que se

permita o ajustamento da matéria ao nível de cada turma e que os incentivos para os professores sejam maiores para as turmas piores. Também parece ser verdade que a integração de bons alunos numa turma preexistente beneficia os que estavam mais avançados e mais atrasados nessa turma, mas não tem efeito nos restantes.

Sexto, as turmas com professores do quadro têm priores resultados que as turmas de professores contratados, e as escolas que têm uma forte interação com os pais melhoram o desempenho dos alunos, nomeadamente quando resultam num esforço de ensino adicional aos alunos mais atrasados.

Em suma, parece valer a pena pensar em criar incentivos aos professores, contratados e do quadro, sobretudo quando conseguem recuperar as classificações das piores escolas. Vale a pena interagir com os pais na educação dos filhos sem os substituir nessa tarefa. Vale a pena tratar cada aluno de per si mudando os bons alunos e turma, para se habituarem a interagir com outros bons alunos, e reforçando e adequando o ensino dos piores aluno