Por Renato Moura

Um novo ano lectivo desejavelmente de formação.

Primeira experiência, mudança de escola, ou novo nível de ensino. Perda da proximidade da família implicará desafios, confronto com novas influências, exigirá gestão do tempo, das opções e do dinheiro.

Os pais querem o melhor para os seus filhos, mas não podem querer fazer deles uma peça de arte moldada à vontade do artista. Os filhos que têm de conhecer os valores, precisam aprender a descobrir o mal, mas são seres humanos com um carácter individual.

Os pais que obrigam os filhos a terem as melhores notas da turma, que fazem o incrível para que não tenham como colegas maus alunos, que os metem numa redoma protegidos do contacto com os desvalidos das outras famílias, porventura sem o querer, prestam um mau serviço aos descendentes. É que na vida algum dia terão de não ser os melhores e os maiores, em muitas ocasiões terão de conviver com pessoas que talvez não sejam bem formadas. O que importa não é que os jovens saibam muitas coisas e estejam metidos numa caixa artificial que nada tem a ver com o mundo. O que é indispensável é que estejam formados e dotados das ferramentas mentais para lidar com as situações, com que, mais cedo ou mais tarde, se depararão. Se assim não for, depois do afastamento da família, tombarão no primeiro precipício.

Obviamente que os jovens precisam conhecer as profissões para os ajudar a descobrir a vocação. Mas, usando e abusando deste argumento, há pais e outros familiares, por vezes professores e até amigos, que tentam empurrar – é este o verbo – os jovens para determinados cursos. Sobrevalorizam algumas profissões por garantirem emprego, ou permitirem enriquecer… ou pura e simplesmente por parecerem engraçadas.

Um aluno excelente pode fazer uma licenciatura em qualquer área. Mas se não tiver uma disposição natural, uma propensão manifesta, se não sentir talento, ou tiver dúvidas sobre o engenho para exercer o ofício correspondente, nunca será um bom profissional e sobretudo nunca se sentirá realizado.

Conheço uma jovem, excelente aluna, com nota para poder garantir a entrada no curso de medicina, algo que tantos gostariam. Contam-me que ela se sentiu pressionada a vários níveis para se inscrever. Os seus pais não lhe tolheram o direito de escolher. Ela foi forte, resistiu às pressões, soube usar a sua liberdade e fará o curso que escolheu. Ela terá entendido que o dinheiro não é tudo e que importa buscar a felicidade.

Só pais humanamente formados poderão contribuir para uma sólida formação dos filhos.