Festas arrancaram com a saída da imagem e a iluminação do Campo de São Francisco

Foi um começo diferente mas tão ou mais emocionante que nos anos anteriores. A festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres, suspensa há dois anos por causa da pandemia, arrancou ao principio da noite com a saída da Imagem do Ecce Homo para o adro da Igreja do Convento da Esperança, onde foi venerada pelos inúmeros peregrinos que se juntaram à abertura da festa.

Ao contrário dos anos anteriores em que a Imagem só saía à rua na Procissão da Mudança da Imagem, no sábado à tarde, depois de entregue à Irmandade, este ano, no primeiro ato de abertura das festas, a Imagem veio para o adro como sinal de proximidade ao povo.

“O apelo desta festa é fazer do Campo do Senhor um lugar onde se pode respirar fundo a paz e a fraternidade” disse o Reitor do Santuário do Senhor Santo Cristo na breve alocução dirigida aos fiéis presentes no Campo.

“Senhor Santo Cristo dos Milagres, sabemos bem o significado que este lugar tem: aqui muitas lágrimas foram orações e o sangue derramado perfume de unção sobre as pedras do chão” disse o cónego Adriano Borges.

O sacerdote, visivelmente emocionado, lembrou os dois anos “de estio pandémico” que “tornou evidente” a Sua falta.

“Temos motivos de gratidão, mesmo quando as lágrimas caem, mesmo quando as lágrimas esperam, mesmo quando as lágrimas entoam hinos de dor, sabem sempre a bálsamo e terra prometida” disse o sacerdote que fez a alocução a partir do Livro do Êxodo, nomeadamente do versículo “Descalça as sandálias porque o terreno que pisas é sagrado”.

“Senhor Santo Cristo dos Milagres, a minha alma tem sede de vós meu Deus, sede de contemplar a Tua Luz e sentir-me acolhido no Teu olhar de misericórdia” disse ainda o cónego Adriano Borges.

Diante da multidão, o sacerdote lembrou as dores da humanidade ao longo dos tempos: os que partiram para o Ultramar, os doentes, os emigrantes e os penitentes que “nunca desistiriam de O visitar no Seu Santuário” .

“Senhor Santo Cristo dos Milagres, junto de Ti podemos descansar e confiar as nossas orações e preces, angústias e desamparos, esperando a floração da Primavera da fé” disse ainda.

O sacerdote lembrou ainda “a memória dos esquecidos da história, daqueles que sem vez nem voz, ficaram sepultados no pesado manto do esquecimento, mas que de almas inocentes e boas, legaram-nos o maior património que possuíam: a valentia da fé que rasga horizontes novos de esperança e capaz de cuidar deste mundo ferido e ressentido por ódios viscerais e guerras violentas”.

O cónego Adriano Borges terminou a alocução com “uma prece muito especial pela paz no mundo”.

“Que nas Tuas chagas Senhor depositemos as nossas e Tu as curarás; Que no Teu ombro ponhamos a nossa cabeça como o discípulo amado e tu nos confortarás; Sei que as tuas costas ainda tem espaço para receber também as nossas cruzes e torná-las-ás mais leves; que eu ponha a minha mão na ferida do teu lado e esta se transformará em ninho de acolhimento de todos os que precisam de Ti”, concluiu com a oração do Pai Nosso.

Esta noite a Imagem ficará para uma Vigília que terminará amanhã, na Igreja de São José com uma missa às 8h00 da manhã e às 9h00 voltará ao adro da Igreja do Convento da Esperança, até às 13h00, para que possa ser venerada pelos fieis.

Entre as 02h00 e as 04h00 da madrugada será possível celebrar o Sacramento da Reconciliação.

Às 10h00 da manhã, o ouvidor de Ponta Delgada celebrará a Eucaristia dos doentes na capela do Hospital do Divino Espirito Santo.

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