Por Renato Moura

Estão à apreciação as listas concorrentes às eleições autárquicas.

Qualquer observador percebe que muitos dos eleitores que poderiam ter dado o seu contributo, para servirem os seus concidadãos, não constam das listas. Ou não foram convidados, ou não aceitaram.

Tudo apesar de o Papa Bento XVI ter um dia vincado “A solidariedade consiste primariamente em que todos se sintam responsáveis por todos”. E sem prejuízo da consequência para que alertou Eleanor Roosevelt, americana, activista dos direitos humanos “Quando deixares de dar o teu contributo, começas a morrer”.

Os mais velhos dos primórdios da política, já em democracia, recordam as pessoas que, muito instadas, outrora aceitavam candidaturas autárquicas sem a expectativa de qualquer remuneração compensadora ou vantagem pessoal ou familiar, exerciam os cargos e desempenhavam todas as funções que lhes eram próprias, pondo ao serviço todas as suas capacidades e trabalhando até ao limite das suas forças para cumprir a lei e executar os programas.

Hoje em dia também é compreensível que haja cidadãos que aspirem ascender e se candidatem a cargos, desde que tenham as competências e capacidades para o desempenho das funções e o façam imbuídos do espírito de serviço. E nem será condenável se buscarem um sucesso próprio, de que se possam orgulhar, na condição de ele ter redundado em benefício do povo e no cumprimento dos objectivos aprovados.

Que se retenha da Constituição Pastoral Gaudium et Spes “A formação de uma cultura capaz de enriquecer o homem exige, pelo contrário, o envolvimento de toda a pessoa, que nela desenvolve a sua criatividade, a sua inteligência, o seu conhecimento do mundo e dos homens, e investe, além disso, a sua capacidade de autodomínio, de sacrifício pessoal, de solidariedade e de disponibilidade para promover o bem comum”.

Santa Teresa de Ávila ensinou: “O Senhor não olha tanto para a grandeza das obras, mas para o amor com que elas são feitas”. Se os candidatos não fizeram bem o exame da sua consciência cívica, terão de ser os eleitores a recusar-lhes votos.

É que, depois de eleitos só resta esperar que se cumpra o desígnio de Martin Luther King, activista americano e Prémio Nobel da Paz “Se na vida te cabe varrer as ruas, então varre-as como Miguel Ângelo pintava quadros, como Beethoven compunha música, varre as ruas como Shakespeare compunha poemas. Varre as ruas tão bem que os exércitos do Céu e da Terra possam parar e dizer: «Aqui viveu um grande varredor de ruas que cumpriu perfeitamente a sua missão»”.