Por Renato Moura

A Igreja Matriz de Santa Cruz das Flores possui um conjunto de belas imagens, em tamanho natural, todas do mesmo escultor, representando várias cenas do caminho percorrido por Jesus até à Sua crucificação e morte. São sete imagens de Jesus e uma de Nossa Senhora das Dores, a Sua mãe que O acompanhou nesse doloroso percurso de sofrimento até à morte física.

As imagens figuram os transes mais marcantes dessa via para a cruz, como sejam, entre outras, a do Senhor preso à Coluna, a do Senhor da Cana Verde, a do Senhor com a Cruz às costas, a do Senhor Crucificado ou do Senhor Morto.

Crê-se que não existe em Portugal uma colecção de imagens semelhante à referida, mas existirá uma nos Estados Unidos, do mesmo escultor. Depois das obras de restauro da Igreja, as imagens ficaram permanente e imediatamente acessíveis aos fiéis e aos turistas que visitarem a Matriz de Santa Cruz das Flores, muito procurada e apreciada, pois que possui uma das mais majestosas fachadas dos templos açorianos.

No passado Domingo, por ser o que precede o de Ramos, realizou-se a procissão com as referidas imagens, localmente conhecida como “Procissão do Triunfo”, a qual percorre parte das mais centrais ruas da vila. Envolve muita gente na preparação e dezenas de homens no sacrifício de transporte dos pesados andores.

Pode questionar-se o valor religioso das procissões se e quando elas não manifestarem, como é desejável, atitudes de fé e de oração ou não se revestirem de dignidade e edificação por parte dos participantes.

Cremos que nesta procissão, feita no tempo forte da reflexão quaresmal, todos são obrigatoriamente levados a se compenetrar do sacrífico de Jesus, que as imagens impõem com o maior realismo, a perceber que a “Via Crucis” conduz ao cumprimento da anunciada ressurreição de Jesus e à prometida e generosa oferta de ressurreição para cada um dos humanos.

Se as procissões em geral simbolizam uma caminhada em oração do povo de Deus, esta tem um significado ainda mais elevado, pois que pretende incluir-nos espiritualmente no caminho de acompanhamento de Jesus até ao Calvário, para melhor percebermos que ali conquistou a salvação para toda a humanidade.

Numa ilha cada vez menos populosa, esta “Festa do Triunfo” atrai ainda muita gente dispersa por diversas povoações. A filarmónica da Fajãzinha – há muito única na ilha – com um reportório adequado, terá convidado ao recolhimento e oração. Que o Espírito Santo tenha feito luz para consciencialização, crescimento da fé, esperança e glória de Deus.