Por Renato Moura

As férias dos estudantes estão no fim e os jovens, que têm animado as nossas terras, estão prestes a viajar para as cidades das universidades.

Gostam do convívio com as famílias, do contacto com o ambiente natural, na exuberância da terra, na limpidez do mar. Todavia muitos estarão preocupados com o seu futuro, receosos de que a licenciatura não garantirá emprego. Alguns, daqueles a quem mais largos horizontes se abriram, estarão justamente reticentes com o advir das suas freguesias e concelhos e das próprias ilhas pequenas.

Quando me pedem, aconselho que os jovens tomem em mãos a reflexão indispensável sobre os objectivos que se podem traçar para as suas terras e sobre os caminhos a percorrer para lá chegar. Que não deixem para os velhos esse encargo, pois infelizmente a maioria deles, mesmo dos que têm responsabilidades, não é capaz de descortinar quase nada, limitando-se a prosseguir, instalados no poder, as rotinas de manutenção do obrigatório no dia-a-dia e por isso quase igual a sufocante inércia; bem bom seria se esses velhos, que teimam em não sair da frente, fossem ao menos capazes de não impedir que se criem objectivos e de garantir os meios para concretizar as iniciativas para os atingir.

Costumo sugerir que os jovens se preocupem menos em engrossar caravanas eleitorais e se ocupem mais a tornarem-se politicamente competentes, de molde a procurarem ir ainda a tempo de reabilitar a imagem da política, que está pelas ruas da amargura. A competência é essencial, porque apenas substituir velhos por novos pouco ou nada adianta.

Desconsideraram-se os trabalhadores do Estado e agora só é funcionário público quem não pode fazer mais nada. Aconselho por isso os jovens a não focarem o seu futuro na função pública, onde o mérito e o trabalho há muito deixaram de ser premiados e se algum encontrar aí emprego, não se esqueça, por si ou pelos seus, de garantir a criação de actividade alternativa, onde o mérito significa ganho, o trabalho gera crescimento, a organização garante sustentabilidade.

Os jovens podem trazer formação das universidades, mas falta a experiência. Têm ferramentas virtuais, mas terão de aprender a usá-las no mundo real. Construirão o futuro se forem convictos, virtuosos e firmes, recusando qualquer ímpeto de arrogância.

Importa que jovens e velhos retenhamos o pensamento de Confúcio: “A humildade é o sólido fundamento de todas as virtudes”; e o ensinamento de John F. Kennedy: “Quanto mais aumenta o nosso conhecimento, mais evidente fica a nossa ignorância”.