Principais lemas da campanha da Igreja.

Com a eutanásia “não se elimina o sofrimento, elimina-se a vida da pessoa que sofre”. Ou “o homicídio não deixa de ser homicídio por ser consentido pela vítima”

Perguntas e respostas sobre a eutanásia

“O homicídio não deixa de ser homicídio por ser consentido pela vítima.” É assim que o folheto “Perguntas e respostas sobre a eutanásia”, lançado pela Igreja Católica em Portugal, responde à questão “é lícito provocar a morte de uma pessoa a seu pedido?”

A igreja católica lançou 1,5 milhões de folhetos contra a eutanásia e em defesa da vida, destinados a promover uma discussão “serena” e não uma luta ou campanha, disse o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).

Sobre o desdobrável preparado por médicos e juristas católicos, de acordo com orientações da CEP, o Pe.Manuel Barbosa sublinhou a sua divulgação “em grande escala” em dioceses e paróquias nacionais, acrescentando que o folheto foi elaborado “no sentido de um esclarecimento sereno, não no sentido de luta, de campanha confessional”.

“Porque esta questão não é confessional nem religiosa, é uma questão de humanidade, de defesa da vida”, frisou Manuel Barbosa, em conferência de imprensa realizada em Fátima, no final da reunião do conselho permanente da Conferência Episcopal Portuguesa.

O desdobrável, que começou a ser distribuído há cerca de uma semana, resume “em quatro ou cinco questões mais incisivas” selecionadas para nele constarem, um outro documento com perguntas e respostas sobre a eutanásia, anteriormente preparado pela CEP.

De acordo com o Pe. Manuel Barbosa está a ser distribuído em dioceses, paróquias e instituições diversas “não só da Igreja”, para que “chegue o mais possível” às pessoas e estas “tenham mais um elemento de esclarecimento” das convicções da igreja católica “que é a de defesa da vida”, reafirmou.

“São tudo elementos para que celebremos a vida e a defendamos por todos os meios, não numa luta confessional, mas afirmando aquilo que é da nossa convicção, como homens e mulheres, na defesa da vida no seu todo. A eutanásia é um dos elementos que devemos combater para que a vida seja defendida, a Constituição da República diz que a vida humana é inviolável, é muito clarinha nesse sentido”, argumentou o Pe. Manuel Barbosa.

O folheto foi elaborado com base num documento mais extenso com o mesmo título elaborado por juristas e médicos católicos para a Conferência Episcopal. Entre os envolvidos no projeto estiveram o juiz Pedro Vaz Patto, presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz, e o médico Pedro Afonso, presidente da Associação dos Médicos Católicos, apurou o Observador.

O documento começa por esclarecer o que é a eutanásia e o suicídio assistido, a obstinação terapêutica (que prolonga “de forma artificial e inútil” a vida doente) e os cuidados paliativos, antes de se deter em questões como se é lícito ou não provocar a morte de alguém a seu pedido ou para eliminar o sofrimento. “Com a eutanásia e o suicídio assistido, não se elimina o sofrimento, elimina-se a vida da pessoa que sofre”, lê-se no documento, que acrescenta: “Tal como não se elimina a pobreza eliminando a vida dos pobres“.

“Com a legalização da eutanásia e do suicídio assistido, o Estado afirma que a vida de pessoas doentes e em sofrimento já não merece proteção, não é digna de ser vivida. E isso não é aceitável” consideram os autores do folheto que será distribuído a partir desta terça-feira em instituições de norte a sul do país.

Apesar de não ter referências religiosas, o documento reflete a doutrina da Igreja. A vida, lê-se no folheto, “não está de forma incondicional à disposição do seu proprietário para a usar ou a deitar fora de acordo com o seu estado de espírito ou determinada circunstância”.

O folheto refere-se ainda às consequências da legalização da eutanásia, afirmando que tal legislação resultaria na “destruição da relação médico-doente”.

“Se admitirmos a eutanásia, é destruída a relação médico-doente, que assenta numa base de confiança, que deve ser respeitada e que é a base da medicina. A eutanásia opõe-se à medicina e acaba por ser a sua negação”, lê-se no documento.

Segundo os autores do folheto, “a experiência dos Estados que legalizaram a eutanásia revela que não é possível restringir essa legalização a situações raras e excecionais”.

“O número de mortes associadas à eutanásia e ao suicídio assistido aumentou nos países em que tais práticas foram legalizadas, como é o caso da Bélgica, Holanda, Suíça e o Estado de Oregon nos Estados Unidos”, exemplifica-se.

“Uma vez legalizada a eutanásia, o Estado corre o risco de, por razões economicistas, privar os doentes com doenças incuráveis de receber os tratamentos adequados e com isso antecipar o momento da morte, encurtando a vida da pessoa. Em países que legalizaram a eutanásia, a prática desta estendeu-se a crianças recém-nascidas com deficiências graves e a adultos com grave deficiência e incapazes de exprimir a sua vontade consciente”, diz o folheto.

(Com Lusa)