Salão, Ribeirinha e Pedro Miguel são as três igrejas que faltam reconstruir depois do sismo de 9 de julho de 1998

A construção da nova igreja do Salão, na ilha do Faial, deverá arrancar até ao final do primeiro trimestre do próximo ano, disse ao Sítio Igreja Açores o seu pároco, Pe José Alvernaz Escobar.

A igreja do Salão, uma das 13 paróquias da ouvidoria da Horta, foi uma das quatro igrejas totalmente danificadas pelo sismo de 9 de julho de 1998 que abalou as ilhas do Faial, Pico e São Jorge.

Há 17 anos que esta comunidade paroquial juntamente com a dos Falmengos, Ribeirinha e Pedro Miguel, esperam por um novo lugar de culto. Neste momento decorrem as obras de reconstrução da igreja dos Flamengos e, “mal esta termine começará a nossa”, esclareceu o sacerdote.

A priorização das reconstruções obedeceu a vários critérios discutidos e aprovados no Conselho Pastoral de Ilha, e as suas decisões foram “ratificadas” pelo Bispo de Angra.

A obra da nova igreja, que se situará mais no centro da freguesia, junto à estrada regional, porque “era inviàvel do ponto de vista técnico a reconstrção no lugar da igreja antiga devido a uma falha geológica muito acentuada”- deverá seguir os mesmos trâmites da obra da Igreja dos Flamengos.

Irão ser consultadas empresas regionais, “que deem garantias de estabilidade e de cumprimento de prazos” e escolher-se-á a melhor proposta, adiantou ainda o Pe José Alvernaz Escobar. O projecto é da autoria do arquitecto continental Luís Jorge Santos e “já está pronto, embora precise de algumas alterações pontuais”, esclareceu o sacerdote.

“A paróquia tem fundos próprios para pagar grande parte da obra” assegurou ainda o Pe Escobar, que é natural do Salão e ali está a paroquiar há 40 anos.

“Temos algum dinheiro que resulta de eventos que foram promovidos para angariação de fundos. E, gostava de sublinhar uma festa que se fez na Califórnia- a maior de sempre realizada por portugueses- que permitiu juntar alguma verba significativa, a que se juntou depois um donativo em herança de um emigrante nos EUA”, acrescentou o pároco, que acaba de cumprir as bodas de ouro sacerdotais.

“A população do Salão já tem alguma experiência de obras porque na igreja antiga já tivemos de as realizar e por isso encaramos este processo como normal”, disse o sacerdote lembrando que a única coisa que correu menos bem foi a “demora” na reconstrução desta igreja.

Depois dos Flamengos e do Salão ficam por reconstruir ainda duas igrejas- Ribeirinha e Pedro Miguel. Esta reconstrução só é possivel devido a um contrato programa assinado entre o Governo Regional dos Açores e a Diocese de Angra , que estabelece o apoio de 8,6 milhões de euros para a conclusão da reconstrução das igrejas afetadas pelo sismo de 1998.

O apoio público, corresponde aos encargos a assumir com empréstimos bancários,  até ao limite de 8,65 milhões de euros, pelo prazo máximo de 20 anos, com um período de carência de 18 meses.

O contrato prevê que as igrejas dos Flamengos, Pedro Miguel, Salão e Ribeirinha, na ilha do Faial, possam contrair um empréstimo junto da banca, no qual o Governo Regional é responsável por 75% do capital e 100% dos juros nos primeiros dois terços do tempo do empréstimo.

A Diocese de Angra é responsável por apresentar, em agosto de cada ano, o plano de pagamento do ano económico seguinte, de modo a que o Plano Regional Anual tenha a dotação financeira correspondente, comprometendo-se ainda a executar as obras de acordo com os projetos aprovados e segundo as orientações da Direção Regional da Cultura que acompanhará os trabalhos.

As quatro igrejas que vão ser intervencionadas “de forma faseada”, ao ritmo de “uma igreja de dois em dois anos,  são as últimas que restam por recuperar desde o sismo de 98.

Este foi o terceiro acordo assinado entre ambas as partes desde o terramoto, tendo o primeiro sido acordado após o sismo, em 1999, e o segundo em 2002.

“Gostava de ver estas obras andarem para frente e de participar na consagração da igreja, nomeadamente com o D. António de Sousa Braga, que sempre foi um amigo do Faial e que acompanhou de perto e com muita disponibilidade os nossos problemas”, concluiu o Padre José Alvernaz Escobar.

“Teria muito gosto nisso”, precisou.