Ordenação de Fábio Silveira encerra ciclo no Seminário de Angra e abre espera de três anos por novos padres na Diocese

Último sacerdote formado integralmente em Angra é ordenado no domingo. A próxima ordenação sacerdotal na Diocese de Angra só deverá acontecer dentro de três anos. Entretanto, três novos candidatos iniciam este ano o percurso formativo, no Porto, juntando-se aos três que já lá estão

Foto: Igreja Açores/CR

A Diocese de Angra vive no próximo domingo um momento de particular significado com a ordenação presbiteral de Fábio Silveira, de 37 anos, natural da ilha do Pico, que se tornará o último sacerdote formado integralmente no Seminário Episcopal de Angra antes da atual reorganização dos percursos formativos dos seminaristas açorianos.

O diácono encontra-se esta semana em retiro espiritual, numa preparação imediata para aquele que será o momento culminante do seu percurso vocacional. Segundo o reitor do Seminário Episcopal de Angra, este é um tempo de aprofundamento interior e de confirmação do compromisso assumido ao longo dos anos de formação.

“Neste momento o diácono Fábio Silveira está em retiro, precisamente para preparar, de uma forma mais próxima, este acontecimento, que é o seu sim generoso e definitivo a Jesus Cristo e à Igreja dos Açores”, afirmou esta terça-feira o padre Emanuel Valadão Vaz, em declarações ao Sítio Igreja Açores

O reitor sublinha que estes dias representam a reta final de um caminho marcado pela entrega e discernimento.

“Durante esta semana está a preparar-se espiritualmente, também confirmando e fortalecendo este seu sim, que agora tem esta reta final de preparação para que no domingo possa dizê-lo de uma forma livre e total ao senhor Bispo”, acrescentou.

A ordenação de Fábio Silveira assinala igualmente o encerramento de uma etapa na história recente do Seminário Episcopal de Angra. O futuro sacerdote é o último candidato a presbítero a completar toda a sua formação na instituição açoriana, numa altura em que a Diocese passou a integrar os seus seminaristas no Seminário do Porto e na Universidade Católica, também no Porto.

Após a ordenação de domingo, a Diocese de Angra não deverá voltar a ordenar sacerdotes nos próximos três anos. Atualmente, dois seminaristas açorianos encontram-se a concluir a sua formação académica (primeiro ano do mestrado de teologia) e regressarão à diocese para cumprir as últimas etapas pastorais.

“Daqui a cerca de um ano e três meses teremos o regresso de dois seminaristas que estão a terminar este ano o primeiro ano de mestrado, depois vem o segundo ano, a apresentação da tese e finalmente regressarão à Diocese de Angra para fazerem os dois anos, que são o ano pastoral e o ano de estágio”, explicou o reitor.

Apesar deste intervalo, o responsável pelo Seminário afasta qualquer dramatização da situação.

“Para nós, evidentemente, não é drama. O mais importante é continuarmos no acompanhamento e no acolhimento daquilo que são as vocações que vão surgindo”, afirmou, lembrando que esta é “uma missão de todos” e não “uma missão exclusiva” do Seminário.

“A questão vocacional precisa sempre de ser trabalhada, não só pelo Seminário, mas por todas as comunidades, e cada vez mais temos de perceber que esta questão vocacional é uma questão de todos”, afirmou.

Na sua perspetiva, o primeiro passo passa por reconhecer que a iniciativa pertence sempre a Deus. “Nunca esquecermos que este convite e o chamamento é de Deus, porque nós somos apenas instrumentos”, salientou.

Por isso, defende que toda a comunidade cristã é chamada a colaborar no discernimento e acompanhamento dos jovens.

“Precisamos de estar preparados para que neste chamamento que Deus vai fazendo possamos colaborar e cooperar no acolhimento, no acompanhamento e na ajuda ao discernimento”, frisou.

O padre Emanuel Valadão Vaz considera, ainda, que o Seminário tem procurado adaptar a formação às exigências atuais, reforçando a ligação dos futuros sacerdotes às comunidades.

“A dimensão pastoral ganhou aqui um lugar de destaque, permitindo aos candidatos conhecer melhor a vida das pessoas e das comunidades e desenvolver um olhar de proximidade e compaixão à maneira de Jesus Cristo”, explicou.

Se a ordenação de domingo encerra um ciclo, o próximo ano letivo abre outro. O Seminário Episcopal de Angra contará com três novos candidatos ao sacerdócio, que se juntarão aos três seminaristas açorianos já em formação e frequentarão o ano propedêutico no Porto.

“Neste ano teremos três candidatos para o propedêutico, o que também nos ajuda a perceber que há sempre alguma coisa que está a surgir”, destacou o padre Emanuel Valadão Vaz, salientando que dois são de São Miguel – Jefferson Pontes (mais velho) e Tomás Correia(terminou o 12º ano) – e o outro  da ilha Terceira- André Rodrigues (terminou o 12º ano).

Para o sacerdote, os números “podem não ser elevados”, mas “revelam sinais de esperança”.

“Há sempre um convite pessoal, pequenino, que depois se vai desabrochando e que precisa sempre de alguém que acompanhe”, referiu.

A ordenação terá lugar na Sé de Angra, no próximo domingo, pelas 16h00. Na ocasião há sete sacerdotes que serão lembrados pelos seus jubileus de 25, 60 e 70 anos de ordenação presbiteral.

Último seminarista formado integralmente em Angra será ordenado padre no dia em que a Diocese celebra sete jubileus sacerdotais

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