Pe Francisco Dolores foi homenageado este sábado em Angra do Heroísmo. Sacerdote mariense pede mais capacidade de escuta

Deus deu-nos dois ouvidos para “sabermos escutar o dobro daquilo que falamos” por isso todos nós, em “especial os políticos” devem “diminuir as palavras e aumentar a capacidade de ouvir os outros”, disse esta tarde o Pe Francisco Dolores, reitor do Santuário de Nossa Senhora da Conceição, em Angra do Heroísmo, durante a apresentação do livro “Um padre do Povo para o Povo”, que decorreu no salão nobre dos Paços do Concelho, em Angra.

O livro e a medalha evocativa dos 40 anos de sacerdócio deste padre mariense, há 30 anos a servir na ilha Terceira, constitui o somatório de uma série de testemunhos de movimentos eclesiais de que ele foi assistente e amigos, em nome individual, que decidiram prestar-lhe uma homenagem escrita.

“Esta homenagem não foi para mim pois tudo o que fiz foi apenas uma gota de água do que há para fazer e que todos nós temos de fazer pelos outros”, disse o Pe Francisco Dolores.

“Há muita gente a precisar de nós. Aqui e em todos lugares do mundo, onde há cristãos perseguidos, gente que tem de fugir à guerra, à fome”, frisou o presbítero que tem dedicado grande parte da sua vida ao jornalismo, quer como jornalista quer como cronista em vários jornais da região, como a União (já extinto), o Correio dos Açores ou o Diário dos Açores.

“Nós hoje vivemos num mundo muito inseguro e só espero que daqui a 20 anos os europeus com tudo o que está a acontecer não se queixem de se terem esquecido de serem pessoas e de respeitarem as pessoas, a sua dignidade e a sua condição humana”, acrescentou o sacerdote.

“Aqui ainda estamos no cantinho do Céu, mas também há pessoas que precisam de nós” sublinhou o Pe Francisco Dolores que, visivelmente emocionado, confessou que sentia pena porque “às vezes sinto que não consigo dizer realmente às pessoas o quanto as amo”.

Foi, de resto, esta dimensão humanista do Pe Francisco Dolores que foi sublinhada por Aurélio da Fonseca, autor do prefácio da publicação “Um padre do Povo para o Povo” e apresentador da obra.

“O Pe Dolores é um pastor de almas”, um homem para quem “a igreja tem de ser família”, disse o professor e ex deputado à Assembleia Legislativa dos Açores.

Aurélio da Fonseca lembrou que o Pe Francisco Dolores “encarna a verdadeira vocação para o sacerdócio”, sobretudo num tempo “como o que vivemos num ocidente que persiste em esquecer Deus e se mostra intransigente em relação à Igreja e isso torna este desafio mais exigente”.

O apresentador do livro referiu a atenção “aos mais jovens”, quer na catequese quer nos escuteiros; “ o seu permanente repúdio” a situações que constituam um atentado à vida humana, “nascente e terminal”; o seu combate “ao materialismo, ao egoísmo e ao utilitarismo” ou os esforços “desenvolvidos para minimizar a solidão e a indiferença” para com aqueles que sofrem.

Aurélio da Fonseca destacou ainda o “compromisso” do sacerdote para com os diferentes movimentos que assiste, da família que “exorta repetidamente a criar espaço no campo social”; na devoção a Maria “como paradigma de entrega e disponibilidade totais” ou a sua permanente oração e missão evangelizadora “não se cansando de fazer uma abordagem nova à intimidade de Jesus, à Sua Boa Nova”.

A apresentação do livro ficou dividida em duas partes: uma primeira sobre o homem e o padre; uma segunda recordando alguns dos testemunhos pessoais deixados na publicação.

O livro conta entre outros, com testemunhos do Presidente da Junta de Freguesia de Nossa Senhora da Conceição, Paulo Jorge Silva; Maria Belina Valadão, promotora desta homenagem; Anabela Borba, Presidente da Cáritas Diocesana; Manuel Pires Luís, Chefe Regional do Corpo Nacional de Escutas; Equipas de nossa Senhora; Rancho de Romeiros do Santuário de Nossa Senhora da Conceição e Confraria de Nossa Senhora da Conceição.