Pelo Cónego José Medeiros Constância

A igreja precisa de fazer um caminho sinodal para fazer a passagem de uma pastoral tradicional, de pirâmide para uma pastoral circular que, em vez de acolher propostas de cima para baixo possa pensar, refletir e agir ministerialmente, diz o Cónego José Medeiros Constância, um dos decanos ouvidores da diocese de Angra.

“Trata-se de por em marcha, o que tem sido retardado, um caminho sinodal proposto pelo Concílio Vaticano II, mesmo reconhecendo que há várias velocidades e que a realidade rural da ouvidoria é diferente da realidade urbana” refere numa entrevista ao Igreja Açores, que pode ser seguida este domingo, ao meio dia, no Rádio Clube de Angra e na Antena 1 Açores.

“A passagem pode ser dolorosa e difícil mas tem de ser feita: deixarmos uma pastoral tradicional, de pirâmide em que o padre é o vértice para uma pastoral circular onde todos são chamados a pensar e a agir”.

“Este é o grande desafio que temos pela frente” precisa o sacerdote.

A ouvidoria de Ponta Delgada é composta por 18 comunidades, num total de cerca de 55 mil pessoas, residentes entre as freguesias de São Roque e das Sete Cidades.

“A estes temos de acrescentar uma população móvel que também é um desafio para nós” destaca o Cónego José Medeiros Constância.

“É um tecido humano rico com todos os serviços, porém com imensas desigualdades, pobreza antiga e nova, dependências e alguns sem abrigo”, salienta.

“É uma realidade plural, padecendo aqui e ali, dos efeitos da secularização” acrescenta destacando que a igreja tem que “saber ler estes sinais do mundo”.

“A nossa realidade já não se revê no Evangelho;  temos uma matriz Cristã, Católica mas aquilo que hoje somos é uma saturação indiferente” isto é, “as pessoas vivem pouco em comunidade e nós temos de saber ler os sinais, denunciando os males e propondo alternativas”.

“É claro que não há receitas rápidas nem soluções rápidas mas temos de ser persistentes”, frisa.

“Não podemos desistir de afirmar e defender que há caminhos alternativos, centrados em Deus!”, salienta.

Com 18 comunidades, organizadas em três zonas pastorais e 24 padres, alguns deles idosos a ouvidoria acolhe cerca de 20 movimentos diocesanos.

A pastoral social, seguindo as orientações diocesanas, e a juventude, são dois dos grandes desafios da ouvidoria onde se “estão a dar passos muito interessantes” refere por outro lado.

“Em relação à juventude estamos muito entusiasmados com a dinamização dos grupos de juventude. Há mesmo um inquérito que questiona os jovens sobre como sentem a igreja e que respostas esperam dela” sublinha ressalvando a importância do caminho sinodal que está a ser desenvolvido.