Coordenadora do Centro Paroquial e de Bem-estar Social de São José lembra que a Covid-19 veio trazer desafios ao nível da gestão para que os recursos possam chegar a mais pessoas, com a mesma qualidade

As Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) têm estado na linha da frente do combate à Covid19 e muita da ajuda que tem sido dada, sobretudo a grupos de risco, no terreno tem sido assegurada por estas instituições, algumas delas ligadas diretamente à Igreja.

É o caso do Centro Paroquial e de bem-estar social de São José, que além do projecto São Lucas (um programa de Intervenção Social de luta contra a pobreza) e das várias parcerias que tem com outras instituições, é parceiro na gestão do Fundo Europeu de Apoio a Pessoas Carenciadas, que abrange 10 freguesias, e chega a 266 pessoas.

“A minha perceção pessoal é que as IPSS estão na linha da frente procurando, de forma incansável, dar resposta às situações concretas de vida das populações que acompanham”, refere Vitória Furtado, responsável pelo Centro Paroquial e de Bem-estar social de São José, num entrevista ao programa de rádio Igreja Açores.

“Apesar dos esforços e de muito já se ter feito ou disponibilizado, na verdade os meses de confinamento foram um desafio às IPSS que, de forma responsável e rápida, tiveram de ser adaptar a esta nova realidade, de acordo com as regras que semanalmente nos iam sendo comunicadas” enfatiza. Um desafio acrescido para quem lida com situações de internamento.

“As estruturas residenciais ou serviços de apoio ao domicilio , com prestação de cuidados a idosos ou pessoas com deficiência, têm sido postos à prova todos os dias” refere sublinhando que esta pandemia “ levou as instituições a reaprenderem a ser mais na comunidade: ditando novas regras de gestão financeira para que os recursos ainda sejam mais rentabilizados; no plano social procurando ir ao encontro de cada vez mais pessoas e, até do ponto de vista interno, a sua realidade teve de ser adaptada a contingências de saúde e de contágio já que muitas delas lidam com grupos de risco” adianta ainda Vitória Furtado.

Por isso, e sem esperar que os tempos possam melhorar, do ponto de vista imediato, a psicóloga refere que as palavras de ordem têm de ser “coragem e adaptação”, mantendo “a qualidade dos serviços prestados e antecipando novas dificuldades que resultem de novos problemas que nos venham bater à porta”. E, embora reconheça que o facto de não ter havido mais novos casos sinalizados de carências sociais em São José neste tempo de pandemia não signifique a ausência de pedidos novos, que possam ter chegado a outras instituições, Vitória Furtado diz que estes tempos exigem, ainda mais, o trabalho em rede.

“Temos muitas IPSS no terreno e cada uma à sua maneira vai correspondendo às populações de proximidade como pode”, acrescenta Vitória Furtado.

Ainda a propósito do confinamento deixa um apelo: “estamos em tempo de olhar de forma mais cuidadosa para a área da saúde mental”.

“O distanciamento social, o isolamento, a adoção de comportamentos para protegermos a nossa saúde e a dos outros constituem mudanças que, para algumas pessoas, causam uma grande depressão psicológica” destaca lembrando que a ansiedade, a depressão, podem ser sintomas de alerta que devem estar presentes e ser sinalizados precocemente.

Também a Cáritas está preocupada com o que pode resultar desta pandemia num futuro próximo.

A reunião do Conselho Geral, realizada no passado fim de semana apenas conseguiu reunir três ilhas- Terceira, São Miguel e Pico- e, do que foi discutido “há novas solicitações a que temos de conseguir dar resposta” refere Anabela Borba.

“As questões de saúde têm sido muito frequentes”, alerta a diretora diocesana da Cáritas que aponta a perda de rendimentos e os despedimentos como a causa direta para  alguns dos problemas que têm registado.

“A situação ainda não é dramática, porque a Covid-19 nunca foi tão grave na região como no continente e o governo tem adoptado muitas medidas de apoio social, mas todos os dias aparecem novas necessidades”, sobretudo ao nível da faturas de oftalmologia e medicina dentária.

A falta do peditório que a organização não conseguiu fazer em março devido à pandemia agravou ainda mais a capacidade de resposta. Por isso, o pedido agora é para que as pessoas sejam generosas e façam donativos.