Por Renato Moura

No passado dia treze ocorreu o aniversário da eleição do nosso Papa Francisco. Significa que só passaram quatro anos sobre aquela que foi a eleição com motivos surpreendentes, de uma cardeal sul-americano, o primeiro jesuíta a ascender ao pontificado e também o primeiro papa a escolher o nome de Francisco.

Ao longo deste pontificado, ainda curto, muitos foram os acontecimentos relevantes protagonizados pelo líder da Igreja católica. Mas é já tempo suficiente para se poder enaltecer a grande coerência da sua palavra com a respectiva prática, o que lhe vem granjeando uma credibilidade não apenas junto dos crentes, como também por parte dos demais homens que respeitam os princípios.

Demonstra uma serenidade admirável, sem se perturbar com as críticas. Baseado na sua fé e na interpretação da vontade de Deus expressa no Evangelho, continua a assumir a coragem de sempre defender a verdade e a justiça e de condenar frontalmente o que oprime a humanidade e põe em causa a vontade de Deus.

A compreensão que o Papa Francisco, apoiado no Evangelho, tem demonstrado pelos pecadores, abriu novos caminhos para a salvação. O esforço que tem feito, através dos documentos emanados da Santa Sé e do magistério da sua palavra, para incluir aqueles que haviam sido excluídos, reabre a esperança e reaviva a fé de tantos católicos. E não obstante a resistência de alguns sectores da hierarquia católica, ele seguramente acredita e faz-nos acreditar que a misericórdia de Deus será vencedora.

A simplicidade cativante não o impede de continuar na senda da intervenção frontal e acaba de qualificar como “pecado gravíssimo” o facto de alguém deixar pessoas sem emprego por “manobras económicas” ou interesses menos claros, pois “o trabalho dá-nos dignidade e os responsáveis dos povos, os dirigentes, tem obrigação de fazer todos os possíveis para que cada homem e cada mulher possam trabalhar e assim andar de cabeça erguida, olhar os outros nos olhos, com dignidade”.

Francisco, que sempre pediu para se acudir às periferias, que nem sempre são geográficas, também esta semana, nas notáveis homilias na capela da Casa de Santa Marta, questionou “Os sem-abrigo fazem parte da cidade? É normal isso?” e alertou “Fiquem atentos! Fiquemos atentos!”

Bem ao contrário dos dirigentes políticos, para os quais qualquer aniversário serve para exibir ou fabricar êxitos, o Papa Francisco, na semana do 4.º aniversário da sua eleição, apesar do sucesso já alcançado, mantém a humildade e continua a pedir que rezem por ele.