O Papa apelou hoje à proteção dos refugiados durante a pandemia, um dia depois da celebração da jornada que lhes é dedicada, pelas Nações Unidas.

“A crise provocada pelo coronavírus evidenciou a exigência de assegurar a proteção necessária às pessoas refugiadas, para garantir a sua dignidade e segurança”, declarou, desde a janela do apartamento pontifício, após a recitação da oração do ângelus.

O número de pessoas forçadas a fugir em todo o mundo devido a conflitos, perseguições e outras violências chegou a 79,5 milhões em 2019, segundo dados da ONU.

Francisco convidou os presentes a unir-se à sua oração por “um compromisso renovado e eficaz de todos em favor da proteção efetiva de cada ser humano, em particular quantos são obrigados a fugir por causa de situações de grave perigo para elas e as suas famílias”.

O Papa decidiu acrescentar três invocações à Ladainha de Nossa Senhora, uma delas dedicada aos migrantes: “Mater Misericordiae” (Mãe da Misericórdia), “Mater Spei” (Mãe da Esperança) e “Solacium migrantium” (Conforto ou Ajuda dos Migrantes).

Perante centenas de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, o pontífice apelou hoje a uma reflexão sobre a relação homem-ambiente, após o confinamento provocado pela Covid-19 que “reduziu a poluição e fez redescobrir a beleza de tantos lugares, livres do trânsito e do ruído”.

“Agora, com o regresso das atividades, todos teremos de ser mais responsáveis pelo cuidado com a casa comum”, acrescentou.

Francisco agradeceu as várias pessoas que promovem iniciativas “desde baixo” para a proteção da natureza, desejando que estas possam “favorecer uma cidadania cada vez mais consciente deste bem comum essencial”.

Por outro lado, o Papa alertou hoje no Vaticano para a “realidade dolorosa da perseguição” que afeta muitos cristãos na atualidade.

“Quantos cristãos são perseguidos ainda hoje em todo o mundo! Se eles sofrem pelo Evangelho e com amor, são os mártires dos nossos dias”, indicou, desde a janela do apartamento pontifício, antes da recitação da oração do ângelus.

Perante centenas de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, Francisco convidou a viver a fé sem medo dos que “procuram extinguir a força da evangelização através da arrogância e da violência”.

“Nada, na verdade, podem fazer contra a alma, ou seja, contra a comunhão com Deus: essa, ninguém pode tirar dos discípulos, pois é um dom de Deus”, acrescentou.

O Papa disse que o medo “é um dos inimigos mais feios da vida cristã”, falando da hostilidade de quem quer distorcer, “adocicar” a Palavra de Deus e calar quem a anuncia, ou a sensação de abandono, de “aridez espiritual”.

Após a oração, Francisco recordou que em vários países se celebra hoje o Dia do Pai, como é o caso da sua terra natal, a Argentina, e rezou por todos eles, incluindo os que já faleceram.

No final do encontro, antes de se despedir dos peregrinos – que começam a chegar de outras cidades da Itália e outros países – o Papa recordou a figura de São Luís de Gonzaga (1568-1591), um “jovem cheio de amor por Deus e pelo próximo”, que morreu em Roma, quando tratava dos doentes da peste, que o contagiaram.

“Confio à sua intercessão os jovens de todo o mundo”, concluiu.

(Com Ecclesia)