O Papa assinalou hoje no Vaticano a solenidade da Imaculada Conceição, apontando o exemplo de “humildade” da Virgem Maria.

“Na sua humildade, sabe que tudo recebe de Deus, por isso está livre de si mesma, totalmente voltada para Deus e para os outros. Maria Imaculada não tem olhos para si mesma. Aqui está a verdadeira humildade: não ter olhos para si, mas para Deus e para os outros”, disse, desde a janela do apartamento pontifício, antes da recitação do ângelus.

Perante centenas de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, Francisco desafiou os católicos a “tecer a santidade na vida quotidiana”.

“Não é uma questão de santinhos e pequenas imagens, mas de viver cada dia o que nos acontece, humildes e alegres como Nossa Senhora, livres de nós mesmos, com os olhos voltados para Deus e para o próximo com que nos encontramos”, indicou.

E quando nos assalta a dúvida do insucesso, a tristeza da inadequação, deixemo-nos olhar pelos olhos misericordiosos de Nossa Senhora, porque ninguém que tenha pedido a sua ajuda foi alguma vez abandonado”.

A reflexão do Papa partiu da passagem do Evangelho em que Maria é saudada pelo anjo como a “cheia de graça”, sublinhando que a mensagem é recebida com um sentimento de “pequenez”.

“Receber grandes saudações, honras e elogios às vezes tem o risco de despertar orgulho e presunção. Recordemos que Jesus não é meigo com quem vive em busca da saudação nas praças, da lisonja, da visibilidade”, observou.

Francisco indicou que a atitude de Maria é contrário a essa busca dos elogios e da visibilidade, vivendo “escondida, na maior humildade”.

“Naquela casinha de Nazaré palpitou o maior coração que uma criatura já teve. Queridos irmãos e irmãs, esta é uma notícia extraordinária para nós! O Senhor, para fazer maravilhas, não necessita de grandes meios e das nossas habilidades sublimes, mas da nossa humildade, do nosso olhar aberto a Ele e aos outros”, afirmou.

O Papa sublinhou a importância de procurar a santidade na vida diária, “na família, no trabalho, nos ambientes de cada dia”.

“Peçamos a Nossa Senhora uma graça: libertar-nos da ideia enganosa de que uma coisa é o Evangelho e outra vida; que nos acenda o entusiasmo pelo ideal de santidade”, declarou.

Entretanto, o Papa  assinalou também, no Vaticano, o final do Ano de São José, que convocou para assinalar o 150º aniversário da sua declaração como padroeiro da Igreja Universal.

“Que a graça deste evento continue a agir na nossa vida e das nossas comunidades. Que a Virgem Maria e São José nos guiem no caminho da santidade”, disse, desde a janela do apartamento pontifício, após a recitação do ângelus na solenidade da Imaculada Conceição.

Foi nesta data, em 2020, que Francisco proclamou o Ano de São José com a carta apostólica ‘Patris corde’, com o objetivo de ajudar as pessoas a redescobrir esta “extraordinária figura”.

A carta do Papa apresentava “algumas reflexões pessoais” sobre São José, destacando que “depois de Maria, a Mãe de Deus, nenhum Santo ocupa tanto espaço no magistério pontifício”, ligado também ao mundo laboral.

“Neste nosso tempo em que o trabalho parece ter voltado a constituir uma urgente questão social e o desemprego atinge por vezes níveis impressionantes, mesmo em países onde se experimentou durante várias décadas um certo bem-estar, é necessário tomar renovada consciência do significado do trabalho que dignifica e do qual o nosso Santo é patrono e exemplo”, sustenta Francisco.

O Papa referiu que num momento de crise “económica, social, cultural e espiritual” era necessário redescobrir o valor do trabalho para dar origem a “uma nova ‘normalidade’, em que ninguém seja excluído”.

Francisco, conhecido pela sua devoção a São José, destaca a capacidade de acolher o que parece inexplicável, nos vários momentos da sua vida, para depois “receber os outros, sem exclusões, tal como são, reservando uma predileção especial pelos mais frágeis”.

A 17 de novembro, o Papa iniciou um ciclo de catequeses, nas audiências públicas semanais, dedicado à figura de São José.

(Com ecclesia)