O Papa criticou hoje no Vaticano o mito da “eterna juventude”, uma “obsessão” da sociedade contemporânea, que leva a desvalorizar o património da velhice e a “descartar” os idosos.

“Como é possível que esta cultura do descarte decida descartar os velhos, porque não são úteis? Os velhos são os mensageiros do futuro, da ternura, da sabedoria de uma vida vivida”, declarou, durante a audiência pública semanal, que decorreu na Praça de São Pedro.

Perante milhares de peregrinos, Francisco prosseguiu o ciclo de catequeses que tem dedicado à velhice, sublinhando que esta fase da vida tem “uma beleza única” que não se deve maquilhar nem disfarçar.

“As rugas são um símbolo da experiência, da vida, da maturidade, de ter feito um caminho”, indicou, sublinhando que “o que interessa é o coração”.

A reflexão advertiu para uma “ilusão tecnocrática de uma sobrevivência biológica e robótica”, que prolongaria indefinidamente a vida.

“A nossa época e a nossa cultura, que mostram uma tendência preocupante para considerar o nascimento de um filho como uma simples questão de produção e reprodução biológica do ser humano, cultivam o mito da eterna juventude como a obsessão – desesperada – da carne incorruptível”, apontou.

“Caminhamos rumo ao Eterno. Ninguém pode voltar a entrar no ventre da mãe, nem sequer no seu substituto tecnológico e consumista”.O Papa falou de uma “missão espiritual e cultural” da velhice, que reconcilia com o “nascimento a partir do alto” pedido por Jesus Cristo, um renascimento espiritual que de distingue da ambição de ser “eternamente jovens no corpo”.

“Não se trata de recomeçar do início e nascer, de repetir a nossa vinda ao mundo, esperando que uma reencarnação abra a nossa possibilidade de uma vida melhor. Esta repetição não tem qualquer sentido. Aliás, esvaziaria a vida que vivemos de todo o significado, apagando-a como se fosse uma experiência falhada”, prosseguiu.

“A velhice é a condição, concedida a muitos de nós, na qual o milagre deste nascimento do alto pode ser intimamente assimilado e tornado credível para a comunidade humana: não comunica nostalgia do nascimento no tempo, mas amor pelo destino final”.

No final da audiência, o Papa saudou os peregrinos de língua portuguesa, em particular os membros do Centro Nacional de Cultura.

“Que o Espírito Santo nos ajude a compreender a velhice como período no qual –  abandonado o mito da eterna juventude – aprendemos o que significa ‘nascer do alto’ e somos  reconciliados com nosso destino eterno. Que Deus vos abençoe”, declarou.

Já na saudação aos peregrinos polacos, o Papa convidou a rezar “pela paz na Europa”.

(Com Ecclesia)