Francisco diz que anel e barrete cardinalícios não são sinais de «príncipes» na Igreja

O Papa Francisco presidiu hoje no Vaticano ao quarto consistório do atual pontificado, para a criação de cinco cardeais, e desafiou os seus mais diretos conselheiros a “olhar para a realidade”, sem se julgarem “príncipes”.

“Falo particularmente para vós, amados novos cardeais: Jesus segue à vossa frente e pede-vos que o sigais decididamente pelo seu caminho. Chama-vos a olhar para a realidade, não vos deixando distrair por outros interesses, por outras perspetivas”, declarou, na homilia da celebração que decorreu na Basílica de São Pedro.

“A realidade é a dos campos de refugiados, que às vezes lembram mais um inferno do que um purgatório; a realidade é o descarte sistemático de tudo o que já não é útil, incluindo as pessoas”, acrescentou.

O rito de entrega do barrete e do anel decorreu na Basílica de São Pedro, na véspera da festa de São Pedro e São Paulo.

“[Jesus] não vos chamou para vos tornardes ‘príncipes’ na Igreja, para vos ‘sentardes à sua direita ou à sua esquerda’. Chama-vos para servir como Ele e com Ele, para servir o Pai e os irmãos”, disse o Papa aos novos cardeais.

Os novos cardeais são D. Jean Zerbo, arcebispo de Bamaco, Mali; D. Juan José Omella, arcebispo de Barcelona, Espanha; D. Anders Arborelius, bispo de Estocolmo, Suécia; D. Louis-Marie Ling Mangkhanekhoun, vigário apostólico de Paksé, Laos; e D. Gregório Rosa Chávez, bispo auxiliar da Diocese de San Salvador, El Salvador, amigo e colaborador de D. Óscar Romero.

Francisco alertou para “os inocentes que sofrem e morrem por causa das guerras e do terrorismo” e as “escravidões que não cessam de negar a dignidade, mesmo na era dos direitos humanos”.

A homilia partiu de uma passagem do Evangelho, sobre os discípulos, na qual se afirma que “Jesus seguia à frente deles”.

“Jesus caminha, decididamente, para Jerusalém. Sabe bem o que lá O espera [a crucifixão], tendo-o referido várias vezes aos seus discípulos. Mas, entre o coração de Jesus e os corações dos discípulos, há uma distância, que só o Espírito Santo poderá preencher”, disse Francisco.

A intervenção sublinhou que, ao longo do caminho, “os próprios discípulos estão distraídos por interesses não condizentes com a «direção» de Jesus, com a sua vontade que se identifica com a vontade do Pai”.

“Que toda a nossa vida se torne serviço a Deus e aos irmãos”, concluiu.

O Colégio Cardinalício passa agora a contar com 53 cardeais eleitores criados no pontificado de Bento XVI e 19 no de São João Paulo II.D. Juan José Omella, que saudou o Papa em nome dos novos cardeais, sublinhou na sua intervenção o facto de Francisco escolher representantes de Igrejas “geograficamente distantes”.

Desde 2013, quando os cardeais eleitores da Europa representavam 56% do total, Francisco tem vindo a alargar as fronteiras das suas escolhas, com uma mudança mais visível no peso específico da África, Ásia e Oceânia.

(Com Ecclesia)