O Papa disse hoje no Vaticano que o Natal deve inspirar os católicos a ver o mundo e a vida do “ponto de vista de Deus”, assumindo os próprios pecados e falhas interiores.

“Deus quer habitar connosco, quer habitar em nós, não ficar longe”, referiu, desde a janela do apartamento pontifício, antes da recitação da oração do ângelus.

Perante centenas de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, Francisco sublinhou a importância de abrir o coração.

“Muitas vezes mantemos distância de Deus, porque pensamos que não somos dignos dele por outros motivos. E é verdade. Mas o Natal convida-nos a ver as coisas do seu ponto de vista: Deus deseja incarnar”, apontou.

O Papa convidou a um exame de consciência para reconhecer os “lugares interiores” onde se rejeita a presença de Deus.

“Cada um tem os seus próprios pecados, vamos chamar as coisas pelo nome”, acrescentou, numa passagem improvisada da sua intervenção.

Francisco convida a parar diante do presépio, que representa muitos problemas da “vida concreta” onde Jesus quer chegar, com o seu nascimento.

“Deus espera que lhe apresentemos as nossas situações, o que estamos a viver. Então, diante do presépio, vamos conversar com Jesus sobre os nossos acontecimentos concretos. Vamos convidá-lo oficialmente para a nossa vida, especialmente nas áreas escuras”, apelou.

“Falemos também, sem medo, dos problemas sociais e eclesiais do nosso tempo, os problemas pessoais mais feios, porque Deus ama habitar ali, no nosso estábulo”, acrescentou.

A reflexão partiu do prólogo do Evangelho segundo São João, realçando que o nascimento de Jesus “é o lugar do encontro, do encontro entre Deus e os homens”.

“Diante da nossa fragilidade, o Senhor não recua”, observou o pontífice.

Francisco falou de Jesus como o “bom pastor” que nunca se cansa de procurar cada pessoa.

“Se não estamos prontos e dispostos a recebê-lo, Ele ainda assim prefere vir. Se lhe fechamos a porta na cara, Ele espera”, observou.

Após a oração do ângelus, o Papa desejou a todos um feliz ano de 2022.

“Neste primeiro domingo de ano, renovo a todos os votos de paz e de bem no Senhor. Nos momentos alegres e nos tristes, confiemo-nos a Ele”, concluiu.

(Com Ecclesia)