O Papa Francisco desafia as comunidades católicas a ir “ao encontro das periferias existenciais”, num vídeo do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral (Santa Sé) de preparação para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado.

“Hoje a Igreja é chamada a ir ao encontro das periferias existenciais, para curar os feridos, procurar os perdidos, sem preconceitos ou medo, sem proselitismo, para ampliar a sua tenda para acolher a todos”, explica o Papa.

A Igreja Católica vai assinalar o 107.º Dia Mundial do Migrante e Refugiado, a 26 de setembro, e Francisco escolheu como tema ‘Rumo a um “nós” cada vez maior’.

“Estamos todos no mesmo barco e somos chamados a empenhar-nos para que não existam mais muros que nos separam, nem existam mais os outros, mas só um nós, do tamanho da humanidade inteira”, escreveu na sua mensagem.

No novo vídeo, o diretor do Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS) no sudoeste da Europa – Bósnia-Herzegovina, Croácia, Sérvia e Kosovo – refere que “graças aos mediadores culturais”, que falam as línguas maternas dos migrantes, sabem o que estas pessoas precisam e procuram “aliviar o seu sofrimento”.

“Em Bihać, o JRS e a Igreja Católica estão presentes para curar as feridas destas pessoas, ajudando os migrantes que acampam nas florestas, distribuindo alimentos, vestuário e todo o tipo de material para sobreviver ao ar livre”, acrescenta o padre Stanko Perica, identificando que “a fronteira mais difícil de atravessar” é perto de Bihać, entre a Bósnia e a Croácia.

Indo ao encontro do apelo do Papa, o jesuíta croata afirma que não se deve “ter medo” dos migrantes que os cristãos, ao ajudá-los, se tornam “homens melhores, mais maduros e mais sábios”.

A Santa Sé alertou esta terça-feira para as deslocações forçadas que “destroem famílias” e causam nas suas vítimas “uma contínua incerteza sobre o acesso à assistência, à educação e ao trabalho com dignidade”, dirigindo-se ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

Na origem, existem causas “cada vez mais complexas”, como as mudanças climáticas, que “têm um efeito desproporcional sobre os pobres e vulneráveis”.

A Missão Permanente do Vaticano lembrou que “existem irmãos e irmãs” nos números e nas estatísticas que dão conta que existiam 82,4 milhões de pessoas deslocadas à força, no final de 2020, um número agravado pela pandemia Covid-19.

E alertou que são necessárias “políticas de reassentamento mais generosas”, “um compromisso mais forte” para a partilha de responsabilidades entre os países para construírem “juntos um futuro de justiça e paz, e garantir que ninguém seja deixado para trás”.

No âmbito da pandemia e da contribuição positiva dos refugiados e deslocados, a Santa Sé destacou que “não são apenas objetos de assistência, mas também sujeitos de direitos e deveres, como todo ser humano”.

(Com Ecclesia)