Bispos de Portugal iniciaram visita ad limina. D. António de Sousa Braga é o decano dos prelados, há mais tempo em funções

O Papa Francisco elogiou hoje no Vaticano a solidariedade dos católicos portugueses, em particular o “amplo esforço caritativo” em favor dos mais necessitados, e deixou uma mensagem de esperança num “futuro melhor”.

“Muito me alegra ver a Igreja em Portugal solidária e solícita com a sorte do seu povo”, refere o discurso pontifício entregue aos membros do episcopado católico durante a audiência concedida pelo Papa, no âmbito da visita ‘ad Limina’ que se iniciou esta manhã.

A intervenção saudou o aumento da “sinodalidade” como opção pastoral, “procurando envolver o maior número possível” de pessoas na evangelização.

Dos 43 bispos em Portugal (20 residenciais, 1 administrador apostólico, 1 coadjutor, 7 auxiliares e 14 eméritos), 37 marcaram presença no Vaticano, incluindo D. José Ornelas Carvalho, bispo nomeado de Setúbal (vai ser ordenado e tomar posse a 25 de outubro).

“Dos vossos relatórios quinquenais, pude deduzir, com verdadeira satisfação, que as luzes ultrapassam as sombras: a Igreja que vive em Portugal é uma Igreja serena, guiada pelo bom senso, escutada pela maioria da população e pelas instituições nacionais, embora nem sempre seja seguida a sua voz; o povo português é bom, hospitaleiro, generoso e religioso, ama a paz e quer a justiça”, assinala o discurso de Francisco.

O texto falou num episcopado “fraternalmente unido” e em padres “preparados espiritual e culturalmente, que desejam dar um testemunho cada vez mais coerente de vida interior”, estendendo os elogios aos consagrados e consagradas, que “manifestam à sociedade contemporânea o valor perene da sua entrega total a Deus”.

Segundo o Papa, há leigos que exprimem “a presença eficaz da Igreja para a autêntica promoção humana e social” da sociedade portuguesa.

“Nesta consonância de intentos de viver a comunhão na Igreja e de contribuir para a sua presença no mundo, abrem-se múltiplos espaços para iniciativas apropriadas, em particular para quantos desejam viver a experiência do voluntariado nos âmbitos da catequese, da cultura, da assistência amorosa a seus irmãos pobres, marginalizados, deficientes, idosos”, prossegue o documento.

Francisco sublinha a importância de uma “formação autenticamente cristã da consciência” para o “amadurecimento social” e para o “verdadeiro e equilibrado bem-estar de Portugal”.

 

“Não percais a coragem perante situações que suscitam perplexidade e vos causam amargura, tais como certas paróquias estagnadas e necessitadas de reavivar a fé batismal”, pede aos bispos.

O Papa lamenta que algumas paróquias estejam “centradas e fechadas no «seu» pároco”, desafiando os católicos à “abertura a uma lógica mais dinâmica e eclesial na comunhão”.

Francisco identificou ainda outros desafios, como o “ativismo pastoral” que deixa de lado a “profundidade espiritual” ou o “grande número” de adolescentes e jovens que abandonam a prática cristã, depois do sacramento do Crisma, para além do “vazio” na oferta paroquial de formação cristã juvenil pós-Crisma, “que muito poderia obstar a futuras situações familiares irregulares”.

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Manuel Clemente, por seu lado, agradeceu o “estímulo forte e seguro” do Papa Francisco às comunidades católicas de Portugal.

“O modo como Vossa Santidade cumpre o ministério petrino, as palavras, os gestos e as atitudes com que o faz constantemente, são para nós e para os católicos de Portugal um estímulo forte e seguro para servir evangelicamente os nossos compatriotas”, disse, durante a audiência concedida por Francisco aos bispos portugueses, no âmbito da visita ‘Ad Limina’ da CEP, que se iniciou esta manhã.

Num discurso proferido em italiano, na Sala Clementina, o cardeal-patriarca de Lisboa manifestou o compromisso de estar “cada vez mais presentes no mundo e nos grandes problemas que o afligem”.

  1. Manuel Clemente recordou o percurso promovido pela Igreja Católica em Portugal após a última visita ao Papa (então Bento XVI) e às instituições da Santa Sé, em novembro de 2007, para uma “autêntica iniciação cristã” dos fiéis, “em termos de conversão evangélica e de inserção na comunidade”.

Nesse sentido, recordou a Nota Pastoral de abril de 2013 sobre a renovação pastoral da Igreja em Portugal, que recolhe elementos de uma “reflexão eclesial” alargada e apresenta vários pontos para a sua concretização.

  1. Manuel Clemente agradeceu, ainda, ao Papa pelo seu magistério, que reforça o caminho de “comunhão e missão” das comunidades católicas portuguesas, numa “conversão missionária”.

O cardeal-patriarca de Lisboa elogiou também a proposta de “ecologia integral” que Francisco apresentou na sua encíclica ‘Laudato si’.

“Pode contar connosco, Santo Padre”, concluiu.

O encontro com os bispos da Província Eclesiástica de Braga está marcado para as 11h00 e às 12h30 locais vai decorrer a audiência do Papa a todo o grupo, durante o qual Francisco apresenta um discurso, considerado orientador para o futuro da vida da Igreja Católica em Portugal.

 

Além dos encontros com o Papa e da participação na audiência pública de quarta-feira, os bispos portugueses vão ter um programa preenchido, com destaque para as visitas às várias instâncias da Santa Sé.

Ao longo da sua estadia em Roma, os membros do episcopado católico vão celebrar Missa nas quatro basílicas papais (São Pedro, São Paulo fora de muros, São João de Latrão e Santa Maria Maior), bem como na igreja de Santo António dos Portugueses.

A agenda inclui uma série de encontros com os responsáveis das diversas instituições da Santa Sé (Congregações e Conselhos Pontifícios) e uma visita à sede da Cáritas Internacional.

Dos 43 bispos em Portugal (20 residenciais, 1 administrador apostólico, 1 coadjutor, 7 auxiliares e 14 eméritos), 37 vão marcar presença no Vaticano; D. José Ornelas Carvalho, bispo nomeado de Setúbal (vai ser ordenado e tomar posse a 25 de outubro) também vai participar na visita ao Papa.

A visita “ad sacra Limina Apostolorum” é realizada pelos bispos do mundo inteiro, com o objetivo de reforçar as “suas responsabilidades” em comunhão com o Papa; a sua denominação faz referência à visita aos túmulos (em latim ‘limina’) dos Apóstolos Pedro e Paulo, em Roma.

A última visita “ad Limina” dos bispos de Portugal aconteceu em novembro de 2007, no pontificado de Bento XVI.