Discurso no palácio presidencial pediu medidas contra a violência e a pobreza

O Papa denunciou hoje a corrupção e o tráfico de drogas no México, no primeiro discurso pronunciado no país, onde chegou esta sexta-feira, pedindo medidas contra a violência e a pobreza.

“Quando se busca o caminho do privilégio ou do benefício para poucos em detrimento do bem de todos, mais cedo ou mais tarde, a vida em sociedade transforma-se num terreno fértil para a corrupção, o tráfico de drogas, a exclusão das culturas diferentes, a violência e até o tráfico humano, o sequestro e a morte”, disse Francisco, no dia em que se tornou o primeiro Papa a entrar no Palácio Nacional da Cidade do México.

Após um percurso em papamóvel acompanhado por milhares de pessoas, desde a Nunciatura Apostólica (embaixada da Santa Sé), Francisco foi recebido com honras de chefe de Estado pelo presidente Enrique Peña Nieto.

Após um encontro privado com o líder mexicano, Francisco discursou no pátio central do Palácio Nacional diante de autoridades políticas, representantes da sociedade civil e do corpo diplomático.

A intervenção defendeu o acesso de toda a população a “bens materiais e espirituais indispensáveis” como “habitação adequada, trabalho digno, alimentação, justiça real, uma segurança eficaz, um ambiente são e pacífico”.

O primeiro Papa latino-americano da história da Igreja Católica apresentou-se como “missionário de misericórdia e de paz” e como “um filho que quer prestar homenagem à sua mãe, a Virgem de Guadalupe, e deixar-se olhar por Ela”

Francisco quis prestar homenagem ao México, “terra tão rica de cultura, história e diversidade”, com “riquezas naturais abundantes”.

“A sua localização geográfica privilegiada faz dele uma encruzilhada das Américas; e as suas culturas indígenas, mestiças e crioulas dão-lhe uma identidade própria”, acrescentou, num discurso saudado pelos aplausos dos presentes.

O discurso papal sublinhou ainda a importância da “sabedoria ancestral” que o multiculturalismo mexicano traz consigo.

Francisco saudou os jovens, como “principal riqueza” do México e defendeu que cada pessoa tem responsabilidades próprias na construção de um futuro diferente para o país.

“Um futuro rico de esperança forja-se num presente feito de homens e mulheres justos, honestos, capazes de comprometer-se com o bem comum, aquele ‘bem comum’ que neste século XXI não é muito apreciado”, advertiu.

O Papa apelou a um acordo das instituições “políticas, sociais e de mercado” na busca do bem comum e na promoção da dignidade da pessoa.

“Coloco-me sob o olhar de Maria, a Virgem de Guadalupe, peço-lhe que olhe para mim, para que, por sua intercessão, o Pai misericordioso conceda que estes dias e o futuro desta terra sejam uma oportunidade de encontro, de comunhão e de paz”, concluiu.

Antes do Papa, o presidente Enrique Peña Nieto afirmou que Francisco é um “líder sensível e visionário”, um “reformador” que leva a Igreja Católica ao encontro das pessoas.

O chefe de Estado mexicano falou dos problemas das migrações, da intolerância, da crise ecológica e das desigualdades económicas, sublinhando a importância do “diálogo”.

“As causas do Papa são também as causas do México”, acrescentou.

No final dos discursos, o presidente e a primeira-dama do México acompanharam o Papa ao salão de honra, onde teve lugar a despedida, que demorou longos minutos por causa do número de pessoas que queriam cumprimentar o pontífice argentino.

Francisco segue em papamóvel para a vizinha Catedral da Assunção, onde se vai encontrar com os bispos das 95 dioceses mexicanas que servem mais de 110 milhões de católicos, segundo dados do Vaticano.