«Viver a Páscoa não é um facto inteletual», afirma Francisco

O Papa Francisco pediu hoje “humildade” e “capacidade de espanto” para entrar no mistério da Ressurreição que os cristãos assinalam este domingo.

“Não se pode viver a Páscoa, sem entrar no mistério. Não é um facto intelectual, não é só conhecer, ler… É mais, é muito mais”, sublinhou o Papa na homilia da celebração da Vigília pascal a que presidiu no Vaticano.

O rito da Vigília Pascal teve início no átrio da Basílica de São Pedro, às escuras, com a bênção do fogo e a preparação do círio pascal, seguindo-se a procissão para o altar.

Na noite que o Papa lembrou ser de “vigília”, tal como fizeram as mulheres e discípulo, Francisco quis refletir sobre o “Mistério de Jesus” e a necessidade de “contemplação e espanto” perante o silêncio.

Pediu Francisco para, perante o mistério, não se ter medo da realidade nem de procurar respostas “para as questões que põem em crise a fé, a lealdade e razão”.

“Não nos fechemos em nós mesmos, não fujamos perante aquilo que não entendemos, não fechemos os olhos diante dos problemas, não os neguemos, não eliminemos as questões”.

“Entrar no mistério significa ter a capacidade de estupefação, de contemplação, de escutar o silêncio e ouvir o sussurro de um fio de silêncio sonoro em que Deus nos fala”.

Para o Papa entrar no mistério significa “ir além da comodidade das próprias seguranças, além da preguiça e da indiferença que paralisa” e procurar a “verdade, a beleza e o amor”.

Francisco apontou a necessidade de “humildade” para reconhecer os pecados das “próprias idolatrias” e pedir o necessário perdão.

“Para entrar no mistério, é preciso humildade, a humildade de rebaixar-se, de descer do pedestal do meu eu tão orgulhoso, da nossa presunção; a humildade de se reajustar, reconhecendo o que realmente somos: criaturas, com valores e defeitos, pecadores necessitados de perdão”.

O Papa relembrou terem sido as mulheres a “não ficarem presas do medo e da angústia”.

“Aprendamos com elas a vigiar com Deus e com Maria, nossa Mãe, para entrar no Mistério que nos faz passar da morte à vida”.

O Papa administrou em seguida os sacramentos de iniciação cristã (Batismo e Confirmação, depois a Eucaristia), a 10 pessoas, incluindo a portuguesa Helena Lobato e catecúmenos da Itália, Albânia, Quénia e Camboja.

CR/Ecclesia