O Papa apelou hoje ao respeito pela vida “até à morte natural”, num dia em que foi interrompida a alimentação e hidratação artificial a Vincent Lambert, francês de 42 anos que se encontra em estado vegetativo há dez anos.

“Rezemos por aqueles que vivem em estado de grave doença. Protejamos sempre a vida, dom de Deus, desde o início até à morte natural. Não cedamos à cultura do descarte”, escreveu Francisco, na sua conta da rede social Twitter.

O pontífice já tinha falado publicamente sobre este caso, em 2018, manifestando sempre a oposição da Igreja Católica a qualquer tentativa de introdução da eutanásia em França.

O procedimento para interromper a alimentação e a hidratação de Vincent Lambert, que foi hospitalizado em Reims em 2008, foi decidido após um processo judicial que contrapôs o hospital público universitário – apoiado pela esposa de Lambert e vários outros familiares – aos pais do doente tetraplégico.

Esta é a quarta vez em seis anos que o protocolo de fim de vida é iniciado, sendo posteriormente interrompido por recursos judiciais.

Segundo alguns médicos, Lambert vive num estado de “consciência mínima”, enquanto, segundo outros, se encontra em estado “vegetativo crónico”.

O arcebispo de Reims, D. Éric de Moulins-Beaufort, e o seu bispo auxiliar D. Bruno Feillet, assinaram uma declaração sobre o caso, em que apelam à sociedade francesa para que não embarque no “caminho da eutanásia”.

Em abril de 2018, o Papa pedia apoio às famílias de Vincent Lambert e do pequeno Alfie Evans, já falecido.

“Gostaria de repetir e confirmar, com força, que o único dono da vida, do início ao fim natural é Deus”, disse, durante uma audiência pública que decorreu na Praça de São Pedro.

Dias antes, Francisco falou em “situações delicadas, muito dolorosas e complexas”.

Rezemos para que cada doente seja sempre respeitado na sua dignidade e cuidado de forma adequada à situação, com o contributo concordante dos familiares, dos médicos e dos outros profissionais de saúde, com grande respeito pela vida”.

O jornal do Vaticano publicou este domingo um artigo dedicado ao caso de Vincent Lambert, no qual refere que o paciente “não está ligado a um ventilador (a respiração é autónoma) ou submetido a estimulação cardíaca (o batimento cardíaco é espontâneo), nem é objeto de terapias intensivas ou subintensivas” que possam configurar uma situação clínica e ética de “encarniçamento terapêutico”.

“Desligar a hidratação e a alimentação significa desligar a corrente elétrica que permite que o nosso sistema nervoso controle o funcionamento adequado do nosso corpo e deixar de fornecer metabólitos, energia, eletrólitos e água para a fisiologia humana. É contra a vida e a dignidade da pessoa”, pode ler-se.

Num documento publicado em 2016, aquando do debate sobre a legalização da eutanásia em Portugal, a Conferência Episcopal sublinhava que, para a Igreja Católica, “quer a eutanásia, quer a obstinação terapêutica desrespeitam o momento natural da morte: a primeira antecipa esse momento; a segunda prolonga-o de forma artificialmente inútil e penosa”.

(com Ecclesia)