O Papa recordou hoje no Vaticano o “sofrimento” do povo ucraniano, pedindo orações pela paz na solenidade da Imaculada Conceição, que se celebra esta quinta-feira.

“Amanhã é um dia bonito, um dia bonito: celebra-se a solenidade da Imaculada Conceição. Com o olhar voltado para a Virgem Maria, sede sempre ousados na promoção dos valores do espírito”, disse, no final da audiência pública semanal, que decorreu no Auditório Paulo VI.

“Pedimos-lhe a Ela, doce mãe, que seja um conforto para aqueles que são provados pela brutalidade da guerra, especialmente para a martirizada Ucrânia. Rezemos por este povo mártir, que está a sofrer tanto”, acrescentou.

Na saudação aos peregrinos polacos, presentes no encontro semanal, Francisco recordou o encontro promovido esta segunda-feira pelo Centro de Relações Católico-Judaicas da Universidade Católica de Lublin (Polónia), no aniversário da “Operação Reinhardt”, que durante a II Guerra Mundial “causou o extermínio de quase dois milhões de vítimas, sobretudo de origem judaica”.

“Que a lembrança desse terrível acontecimento suscite resoluções e ações pela paz em todos. A história repete-se, repete-se, vejamos agora o que acontece na Ucrânia. Rezemos pela paz”, apelou.

O Papa dirigiu-se ainda aos participantes lusófonos na audiência geral.

“Na véspera da Festa da Imaculada Conceição, queremos pedir a graça de buscar em tudo, e acima de tudo, a vontade de Deus”, disse.

Enquanto Eva se deixara seduzir, desobedecendo a Deus, a Virgem Maria deixou-se persuadir pelo Anjo a obedecer: ‘Faça-se em mim segundo a tua palavra’. Tornou-se assim causa da nossa salvação, dando-nos o Salvador… e foi Natal! Como Maria, preparemos os nossos corações para acolher e oferecer Jesus, no Natal”.

Esta quinta-feira, o Papa desloca-se à Praça de Espanha, em Roma, pelas 16h00 (15h00 em Lisboa), para cumprir a tradicional homenagem à Imaculada Conceição, que foi feita de forma privada nos últimos dois anos, devido à pandemia.

Esta é uma tradição com décadas, levando os Papas junto à imagem de Nossa Senhora, colocada no alto de uma antiga coluna romana, na qual é colocada uma grinalda de flores.

O monumento foi criado pelo arquiteto Luigi Poletti e pelo escultor Giuseppe Obici, em homenagem ao dogma da Imaculada Conceição, proclamado pelo Papa Pio IX em 1854.

O dogma da Imaculada Conceição de Maria foi proclamado a 8 de dezembro de 1854, através da bula ‘Ineffabilis Deus’, do Papa Pio IX, na qual declara a santidade da Virgem Santa Maria desde o primeiro momento da sua existência, sendo preservada do pecado original.

A solenidade da Imaculada Conceição, que a Igreja Católica assinala anualmente a 8 de dezembro, é feriado nacional em Portugal, um reconhecimento à importância desta data na espiritualidade e identidade do país.

A primeira celebração do culto da Imaculada Conceição aconteceu na Sé Velha de Coimbra, no dia 8 de dezembro de 1320, há 700 anos, que este ano são assinalados pela Diocese, após D. Raimundo Evrard, bispo diocesano da altura, ter assinado, no dia 17 de outubro de 1320, a constituição diocesana que instituiu a festividade da Conceição de Maria.

A ligação entre Portugal e a Imaculada Conceição ganhara destaque em 1385, quando as tropas comandadas por D. Nuno Alvares Pereira derrotaram o exército castelhano e os seus aliados, na batalha de Aljubarrota.

Em honra a esta vitória, o Santo Condestável fundou a igreja de Nossa Senhora do Castelo, em Vila Viçosa, e fez consagrar aquele templo a Nossa Senhora da Conceição.

No contexto do movimento de restauração da independência portuguesa, que culminou com a coroação de D. João IV como, em 1640, o monarca coroou a Imagem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa como Rainha e Padroeira de Portugal, durante as cortes de 1646.

(Com Ecclesia)