O Papa recordou hoje as vítimas da pandemia e quem deu a vida pelos doentes, assinalando a comemoração dos Fiéis Defuntos.

“Hoje rezamos por todos os Fiéis Defuntos e especialmente pelas vítimas do coronavírus: por aqueles que morreram sozinhos, sem o carinho dos seus entes queridos; e por todas as pessoas que deram a vida a serviço dos doentes”, escreveu Francisco, na sua conta do Twitter.

O Papa presidiu esta tarde à Missa, no Cemitério ou Campo Santo Teutónico, localizado dentro da Cidade do Estado do Vaticano.

Na sua homilia, Francisco partiu da figura bíblica de Job, símbolo do sofrimento, para falar da “esperança cristã” na vida depois da morte, citando passagens deste livro do Antigo Testamento: “Eu sei que o meu Redentor está vivo e no último dia se levantará sobre a terra”, “eu próprio o verei, meus olhos o hão de contemplar”.

Francisco sublinhou que essa esperança, “que não se desilude”, é “um dom” que atrai o ser humano “para a vida, para a alegria eterna”.

“É uma âncora que temos do outro lado”, observou.

O Campo Santo Teutónico é um terreno concedido no século IX a Carlos Magno, para dar sepultura aos peregrinos que se deslocavam a Roma e destina-se hoje a funcionários da Santa Sé de língua germânica.

“Hoje, ao pensar em tantos irmãos e irmãs que partiram, far-nos-á bem olhar para os cemitérios e olhar para o alto, repetindo, como Job: Eu sei que o meu Redentor está vivo, eu  próprio o verei, os meus olhos o hão de contemplar”.

No final da Eucaristia, Francisco rezou junto dos túmulos do Cemitério Teutónico – onde um sem-abrigo flamengo, conhecido como Willy, foi sepultado a 9 de janeiro de 2015, a pedido do Papa -, antes de dirigir-se paras Grutas na Basílica de São Pedro, onde faz um momento de oração em memória dos pontífices falecidos.

A 5 de novembro, pelas 11h00 de Roma (menos uma em Lisboa), o Papa preside à Missa anual pelos cardeais e bispos falecidos nos últimos 12 meses, com participação limitada de assembleia.

A comemoração de todos os fiéis defuntos remonta ao final do primeiro milénio: foi o Abade de Cluny, Santo Odilão, quem no ano 998 determinou que em todos os mosteiros da sua Ordem se fizesse nesta data a evocação de todos os defuntos desde o princípio até ao fim do mundo.

Durante a I Guerra Mundial, o Papa Bento XV generalizou esse uso em toda a Igreja (1915).

A Penitenciaria Apostólica, da Santa Sé, emitiu um decreto em que se alarga a todo o mês de novembro a possibilidade de obtenção de indulgências plenárias, pelos Fiéis Defuntos, numa medida preventiva face à situação de pandemia.

“Este ano, nas atuais contingências devidas à pandemia da Covid-19, as indulgências plenárias para os fiéis falecidos serão alargadas para todo o mês de novembro, com adequação dos trabalhos e condições para garantir a segurança dos fiéis”, informa o portal de notícias do Vaticano.

A tradicional indulgência plenária de 2 de novembro, estabelecida no âmbito da comemoração de ‘Todos os Fiéis Defuntos’, pode ser transferida para outro dia do mesmo mês para quem visitar uma igreja ou um oratório, rezando o Pai-Nosso e o Credo.

Em Portugal, esta data coincide com um dia de luto nacional e homenagem a todos os falecidos, em especial às vítimas da pandemia da Covid-19, que já provocou mais de 2500 mortes.

No dia 14 de novembro, às 11h00, na Basílica da Santíssima Trindade do Santuário de Fátima, a Conferência Episcopal vai celebrar uma Eucaristia de sufrágio pelas vítimas da pandemia em Portugal.

(Com Ecclesia)