Papa ultrapassa discurso centrado na tecnologia

Alfredo Teixeira destaca importância da «proximidade» na mensagem de Francisco.

O antropólogo Alfredo Teixeira, professor da Universidade Católica Portuguesa, afirmou hoje que mensagem do Papa para o Dia Mundial das Comunicações Sociais (Clique aqui para texto da mensagem na íntegra »»») promove uma nova perspetiva sobre as redes digitais.

 

O docente da Universidade Católica Portuguesa sustenta que a mediaesfera é “um lugar onde se recompõem os vínculos sociais” no qual Francisco vem reforçar a ideia de “proximidade”.

 

“Se a comunicação é uma redução de distância, a proximidade é o lugar de elaboração desta experiência de cidadania num novo contexto”, declarou o conferencista convidado pelo Secretariado Nacional das Comunicações Sociais da Igreja para o encontro de apresentação da mensagem do Papa ‘Comunicação ao serviço de uma autêntica cultura do encontro’.

 

“A metáfora usada para falar desta realidade é a da cidadania. O problema não são os novos areópagos, mas novas cidades”, precisa o professor universitário.

 

Segundo Alfredo Teixeira, Francisco retoma a “questão do próximo”, um tema central, com “apelos a ultrapassar os limites de uma compaixão à distância”.

 

“A mensagem do Papa Francisco inscreve a mediação tecnológica na lógica do dom”, destacou, a respeito do texto para a celebração do 48.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que a Igreja Católica celebra no domingo.

 

O antropólogo observa que o Papa identifica nas redes digitais “outros lugares de reinvenção deste amor-caridade, ultrapassando o que divide e fazendo crescer o que é comum”.

 

“Estes novos espaços não podem ser encerrados num discurso sobre a tecnologia”, prosseguiu.

 

Alfredo Teixeira identificou um “olhar de bondade sobre a rede comunicativa”, na reflexão de Francisco, que passa de uma perspetiva “funcional” para a reinvenção de uma cultura, que designa como “cultura do encontro”.

 

O Papa, realçou, abandona o discurso “preponderantemente instrumental” para falar em “lugares novos de relações”, com consciência da “complexidade próprias destas mediaseferas” e um “discurso humanista que não se deixa iludir pelo virtuosismo tecnológico”.

 

“Os meios que permitem estar mais perto podem introduzir novas fronteiras de exclusão”, advertiu.

 

A Universidade Católica Portuguesa (UCP) assinalou o Dia Mundial das Comunicações Sociais e homenageou o cónego António Rego, que este ano celebra 50 anos de ordenação sacerdotal, valorizando o seu “pensamento” sobre os media.

 

“É uma pessoa que, além do que conhecemos do que faz nos media, tem um pensamento e uma capacidade de refletir sobre o que devem ser os meios de comunicação social, como se devem posicionar na sociedade”, afirmou hoje no Programa ECCLESIA Nelson Ribeiro, coordenador da Área Científica de Ciências da Comunicação da Faculdade de Ciências Humanas (FCH) da UCP.

 

Para o cónego António Rego, antigo diretor do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais, recordar os 50 anos de ordenação sacerdotal por ocasião do Dia Mundial das Comunicações Sociais é uma coincidência “excelente” porque evoca o Concílio Vaticano II, a “sensibilidade pessoal”, o “olhar sobre o mundo” e todos os “empenhamentos pastorais que passaram pela comunicação”.

 

O Dia Mundial das Comunicações Sociais é assinalado na UCP para ajudar os alunos a “refletir criticamente” e a enquadrar a prática profissional do jornalismo em “valores éticos” propostos pela Igreja Católica, adiante Nelson Ribeiro.

 

“Queremos formar pessoas que tenham uma capacidade de refletir criticamente sobre os mais diversos sistemas, que depois acabam por estar na atualidade, e pessoas que consigam enquadrar a sua prática profissional em valores éticos que estejam de acordo com o que é a proposta da Igreja”, afirma o professor da FCH.

 

“Isso para nós é um alicerce fundamental em termos de formação dos nossos alunos, tanto de licenciatura, como nos outros ciclos de mestrado e até de doutoramento”, sustenta Nelson Ribeiro.

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