Por Renato Moura

Aproxima-se o fim do ano. As visitas aos amigos, os contactos pessoais e até os telefonemas serão, cada vez mais, substituídos por mensagens pela internet, o que até seria aceitável se contivessem uma mensagem pessoal e não uma mera cópia de outra qualquer.

Claro que haverá quem celebre o ano novo em luxuosos salões, com bons repastos; outros na rua, talvez com mais sentido de humanidade e comunidade; outros juntos em casa, aparentando mais vivência de família; ainda outros a trabalhar. Todos esses, seja no meio do brilho das luzes, da estridência da música, do estalejar do fogo de artifício, extasiados nas bolhas do espumante, ou pelo menos com a alegria da boa… ou da possível refeição, balbuciarão os tradicionais desejos de Bom Ano Novo.

Feliz e próspero Ano Novo; que seja um ano com muita paz; que se realizem todos os teus desejos; que tenhas muita saúde, que é o principal; que o futuro ano não seja pior que este. Estas e outras fórmulas correrão de boca em boca e soarão doce nos ouvidos, seladas por apertados abraços e muitos beijinhos. Com inteira sinceridade ou simples rotina.

Mas houve e haverá as mensagens dos políticos, que sendo do poder se esforçam por alimentar a nossa esperança de felicidade colectiva; estas para quem não for incauto, não fazem bem nem mal, compõem o jogo de ilusões, com meias verdades ou mentiras, tentando fazer parecer que 2019 será melhor que 2018, habilidosamente avalizadas, lá no topo do poder, por quem procura interesse eleitoral futuro e propaga que somos os maiores.

Detractores, indiferentes à pureza dos desejos, continuarão pelo mundo a fazer crescer as ditaduras e cá dentro veremos populismos, sem distinção de direita ou esquerda e até bem perto de nós prepotências de poder.

Durante a operação pomposamente apelidada, pela GNR, de “Natal Tranquilo” vimos este ano mais acidentes, imenso excesso de álcool, muitos presos, mais feridos ligeiros, mais feridos graves, e morrerem 15 pessoas (7 em 2017)!

Quando distribuirmos os bons votos, não nos esqueçamos que desejar é menos do que contribuir e se queremos realmente construir um futuro melhor, temos de agir a sério em tudo aquilo de que formos capazes, não apenas nas nossas vivências, mas na comunidade.

Como para construir os desejos são pouco, tenhamos presente: que há famílias que já nem festejam, pois se lhes foi a esperança; e há os que sobrevivem sós; e os que procuram, no álcool e na droga, mas não conseguem abafar a tragédia da solidão.

Lembremos e ajamos, não só agora, mas pelo tempo que aí vem.