Cardeal André Vingt-Trois condena «atos de violência e barbárie»

O arcebispo de Paris, cardeal André Vingt-Trois, elogiou o esforço conjunto de redescoberta de “valores fundamentais” da França após os atos de terrorismo que esta semana provocaram 17 mortes.

“A maior parte dos nossos concidadãos viveram esta situação como um apelo a redescobrir um certo número de valores fundamentais da nossa República, como a liberdade de religião ou a liberdade de opinião”, refere o responsável católico, numa mensagem à arquidiocese, divulgada através da internet.

O cardeal parisiense destaca o espírito de “recolhimento” das manifestações de protesto contra o terrorismo, sem marcas de “ódio ou de violência”.

“A tristeza do luto e a convicção de que temos, todos juntos, algo a defender estão a unir os franceses”, constata.

O arcebispo de Paris condena os atos de “violência e de barbárie inauditas” que atingiram a capital francesa, convidando os católicos a rezar pelas vítimas e também pela conversão dos terroristas.

Segundo este responsável, a liberdade de imprensa é o “sinal de uma sociedade madura” e “uma caricatura, mesmo de mau gosto, ou uma crítica, ainda que gravemente injusta, não podem ser colocadas no mesmo plano que um assassinato”.

“Que homens nascidos em França, concidadãos, possam pensar que a única resposta justa a uma chacota ou a um insulto seja a morte dos seus autores coloca a nossa sociedade diante de graves interrogações”, adverte.

A mensagem recorda os jornalistas, os polícias e os membros da comunidade judaica que foram mortos esta semana por fundamentalistas, pedindo à opinião pública que não identifique “alguns fanáticos com toda uma religião”.

Líderes políticos e religiosos vão participar hoje em Paris, ao início da tarde, numa marcha silenciosa de solidariedade para com as vítimas dos atentados, incluindo uma representação oficial portuguesa.

A ‘marcha republicana’ evoca as vítimas do atentado de quarta-feira contra o jornal satírico Charlie Hebdo, em que foram assassinadas 12 pessoas; na sexta-feira, cinco reféns foram mortos durante um sequestro num supermercado judaico.

CR/Ecclesia