Bispo de Angra pede à comunidade para prosseguir compromisso de revitalizar a Igreja

O bispo de Angra afirmou esta tarde, na homilia da celebração, em que foi inaugurada e dedicada a nova igreja do Salão no Faial, que o tempo que decorreu entre o desmoronamento da igreja e a sua reconstrução foi um tempo de fortalecimento da comunidade, que soube dizer não ao individualismo que a sociedade propõe.

“O que aqui aconteceu, como em muitos outros lugares da nossa diocese, algo que se desmorona para dar lugar ao novo, serve de indicador para a vida comunitária que exige ser constantemente renovada e reedificada pela acção do Espirito Santo” afirmou D. João Lavrador na homilia da Missa celebrada esta tarde no Faial, que contou com a presença de várias forças vivas da sociedade e da politica regional.

“Este lugar reclama de nós o que de mais nobre nos faz sair do individualismo e nos convida a ser pessoa de relação, de partilha, participante ativa de uma comunidade cristã”, disse ainda.

“Se soubemos aproveitar bem o tempo da edificação deste templo, reconhecemos como um outro templo se foi fortalecendo. Refiro-me à paróquia com todos os seus batizados, grupos e movimentos que são chamados à comunhão e à unidade, à participação ativa e corresponsabilidade na missão da Igreja” esclareceu ainda o prelado.

A partir da liturgia desta celebração, D. João Lavrador lembrou que a verdadeira comunhão com Deus traduz-se em assumir a missão dentro da Igreja, de forma responsável e empenhada, o que vai para além do mero cumprimento de uma formalidade.

O bispo de Angra convocou, por isso, esta comunidade a ser ativa e a não se limitar a “repetir tradições sem atender ao seu conteúdo, seduzidos por um mundo que atrevidamente quer invadir o espaço sagrado da fé cristã e mutilados por uma cultura medíocre que se esgota no presente e sem horizontes de futuro”.

Para o prelado a edificação desta nova igreja é um sinal de que com Cristo e em comunhão com Ele, “combatendo o individualismo”, as comunidades conseguem erguer-se.

“Tal como aconteceu na força da natureza que fez cair algo de antigo e forçou a reerguer algo de novo, perante esta metáfora, sabemos que há um mundo antigo, preso ao mal, ao pecado e à morte, que tem de dar lugar a um mundo novo na verdade, no amor, na liberdade autêntica, na justiça e na paz”, afirmou D. João Lavrador.

O prelado lembrou ainda que a reconstrução desta igreja é um sinal claro de uma comunidade que se deixou tocar pelo Espirito Santo em vez de se deixar vencer pelo pessimismo “que tantas vezes resulta em queixume e pouco dinamismo evangelizador, e perguntamo-nos porquê”. E deixou uma interpelação para que o dinamismo demonstrado nesta nova edificação se traduza num verdadeiro compromisso com a Igreja, sobretudo neste tempo que se avizinha, em que a diocese “vai iniciar um novo estilo de vida pastoral a que chamamos caminhada sinodal”.

“Estando nós na bênção e dedicação de uma nova Igreja, não poderia deixar de me dirigir a vós jovens para vos convidar a uma participação mais ativa na comunidade cristã, a projetardes os vossos sonhos na renovação da Igreja e no anúncio jubilosos da Boa Noticia de Jesus Cristo no mundo de hoje”, concluiu.

A poucos meses de se completarem 21 anos após o terramoto de 1998, que deitou integralmente por terra quatro igrejas do Faial, e destruiu parcialmente outras tantas, a nova igreja do Salão foi inaugurada este domingo.

A nova igreja, cuja primeira pedra foi lançada a 3 de fevereiro de 2017, foi financiada em 75% pelo Governo Regional dos Açores e os restantes 25% pela comunidade paroquial, que se tem desdobrado em iniciativas para garantir o financiamento necessário.

A nova igreja do Salão, um projeto da autoria do arquiteto Luís Jorge Santos, tem uma configuração diferente das igrejas tradicionais, tanto no interior como no exterior.

Segundo explicou o autor do projeto, no dia do lançamento da primeira pedra, o espaço foi pensado “de dentro para fora”, dando primazia a aspetos litúrgicos sobre os arquitetónicos, com uma disposição dos bancos da igreja em forma de U “idêntico às salas de aula” nas escolas.

“Desta forma, todos os fiéis estarão em igualdade de circunstâncias em relação ao altar e poderão participar de igual forma! Ninguém se esconde atrás de ninguém e ninguém se deixa ficar pelo fundo da igreja”, adiantou Luís Jorge Santos.

A paróquia do Salão foi uma das 13 paróquias do Faial que desde o sismo ficou sem um lugar de culto, juntamente com Flamengos, já reconstruída, Pedro Miguel e Ribeirinha. Estas duas últimas serão as que se seguem.

O terramoto de 9 de julho de 1998 destruiu cerca de 75% do parque habitacional do Faial e danificou também templos religiosos e infraestruturas públicas.

No futuro, serão construídas as igrejas de Pedro Miguel e da Ribeirinha.