Por Renato Moura

A semana passada deixei aqui registadas algumas das opiniões que venho expressando, em diversos lugares e oportunidades, sobre a transformação das paróquias, funções dos párocos e cooperação comprometida e activa dos leigos.

Noticiou-se que Tiago Freitas – um sacerdote da arquidiocese de Braga, que tem 551 paróquias – elaborou recentemente a sua tese de doutoramento intitulada “Colégio de Paróquias – um proto-modelo crítico para a paróquia da Europa Ocidental em tempos de mobilidade”, a qual obteve classificação máxima na Pontifícia Universidade Lateranse, em Roma.

O sacerdote defendeu na tese que “tem de se repensar o próprio conceito de paróquia” que já não pode ser uma “estrutura estática” e “territorial”, com “tudo centralizado” no pároco, mas “com tarefas e serviços partilhados com leigos, que devem ser mais comprometidos e ter mais formação”.

Tiago Freitas, em entrevista à Renascença, disse que o conceito actual de paróquia está desadequado, não apenas pela falta de sacerdotes e avançou: “se olhássemos para o Concílio Vaticano II, o papel dos leigos já deveria ter sido promovido há mais tempo de modo efectivo”. Explicou que a sua crítica de fundo “é à inadequação do modelo actual de paróquia, que remonta quase ao concílio de Trento, século XV”.

“O modelo que proponho chama-se um Colégio de Paróquias”, diz apoiando-se no fundamento de que colégio é “uma verdadeira sinergia e uma nova identidade de paróquia, mas também o modo de governar essa paróquia, que é num estilo colegial”, sendo muito claro ao considerar “que o governar não é algo exclusivo nem sequer identificativo do sacerdote”, mas “específico do sacerdote é presidir aos conselhos, à eucaristia”. Essencial que tenham tempo para fazer “aquilo que é próprio da sua identidade”, quando, ao invés, baseado em estudos feitos na arquidiocese de Braga “verificámos que quase 50 a 60 por cento do tempo útil dos sacerdotes é dispendido em coisas de tipo administrativo, na gestão de IPSS ou de outras realidades”.

A notícia deu-me a satisfação de comprovar que não estou só nas minhas convicções, mas verdadeiramente importante é perceber que se está a desbravar a senda do bem. Apesar do Papa que temos, sei que há uma parte da hierarquia muito resistente às mudanças!

Tiago Freitas confessa igualmente que “há abertura, mas também há receios e perplexidades”, mas “isso obriga-nos, mesmo a nós sacerdotes, a repensar o nosso próprio ministério e o modo como estamos na paróquia, e a termos uma abertura efectiva ao trabalho dos leigos”.

Que seja.