Situação de exclusão é denunciada pelo Diretor Executivo da Pastoral dos Ciganos na Igreja Católica

O diretor executivo da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos (ONPC), Francisco Monteiro, alertou hoje para o “abismo” que representa “a miséria absoluta” dos sem-abrigo de etnia cigana, “não por pobreza apenas, mas por uma intencional exclusão étnica”.
Para Francisco Monteiro, “se fossem imigrantes, refugiados, o enquadramento, as simpatias, os apoios oficiais, políticos e sobretudo factuais seriam completamente outros”, mas, como se trata de ciganos, são confrontados com “a lentidão, as hesitações, as elucubrações políticas, técnicas, legislativas, estratégicas ou de imagem cujos resultados são a continuação por décadas do sofrimento, da miséria, da injustiça, da exclusão, do menosprezo”.
No editorial do boletim Caravana, que hoje foi divulgado, Francisco Monteiro refere, no entanto, “as excelentes iniciativas” da União Europeia (UE) no âmbito da participação das organizações da sociedade civil, com relevo para as organizações ciganas, “no novo Enquadramento da UE para a  Igualdade, Inclusão e Participação dos Ciganos 2021-2030 e, sobretudo, para o impulso que está a dar ao incremento do cumprimento dos direitos humanos a nível regional e local através da notável iniciativa das Cidades dos Direitos Humanos em cujo Relatório, lamentavelmente, apenas uma cidade portuguesa é nomeada: Braga”.
O diretor executivo da ONPC aproveita o editorial para lembrar que “houve um Governo, não há muitos anos, que decidiu acabar com as barracas neste país: e aí começou o movimento de realojamento de milhares de pessoas. Houve uma Câmara Municipal que decidiu acabar com as barracas no seu concelho, e as barracas foram substituídas por realojamento nesse concelho”.
“Houve uma Câmara Municipal, e certamente terá havido outras, que decidiu realojar os ciganos que viviam nessa cidade e os ciganos foram realojados nessa cidade. A isto chama-se decisão, consciência social, não apenas de palavras, mas por decisões que se tomam e se implementam até ao fim”, acrescenta Francisco Monteiro, deixando ainda a pergunta: “Para quando esta forma de governar a nível nacional, regional e local em Portugal?”.
(Com Lusa)