«Poder local» tem sido decisivo no «progresso» do país, frisa Pedro Vaz Patto

O presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz espera que os portugueses se mostrem nestas eleições autárquicas, de 1 de outubro, comprometidos com o futuro do país e das suas regiões, indo às urnas e votando.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, Pedro Vaz Patto recorda a importância deste ato eleitoral, uma vez que “foi sobretudo através do poder local” que o “progresso” chegou aos vários territórios, como expressão de um poder político mais “próximo das pessoas”.

“Nós muitas vezes vemos o negativo e o que ainda está por fazer e esquecemos o positivo”, salienta aquele responsável católico, apontando que “participar significa também saber analisar, saber fazer propostas, não dizer mal sistematicamente de tudo e de todos”.

“Denunciar o que é negativo mas também pôr em evidência o que é positivo, e contribuir de uma forma positiva, não apenas com críticas”, realça Pedro Vaz Patto, para quem o poder político também tem de fazer a sua parte.

O clima de “indiferença” que tem marcado os últimos atos eleitorais, com elevadas taxas de abstenção, tem de ser encarado como uma resposta das pessoas aos “vícios” que ainda marcam o poder local.

Vícios que, de acordo com o presidente da CNJP, vêm desde o topo da pirâmide, desde “a administração central”, e que muitas vezes fazem com que os cidadãos pensem que o seu voto não tem qualquer peso, “não conta”.

Como a distância que frequentemente se verifica entre “o que se prometeu” e o que depois na prática “se cumpre”.

Pedro Vaz Patto considera que perante este contexto é natural que haja “desconfiança” e “descontentamento”, mas realça que só através da “participação” ativa nas eleições é que se podem mudar as “injustiças”.

“As primeiras eleições depois do 25 de abril, para a assembleia constituinte, tiveram um nível de participação que nunca mais foi atingido. E era bom que voltasse a acontecer isso. As pessoas valorizam mais aquilo de que foram privados durante tanto tempo do que depois de se tornar uma coisa acessível. Não deveria ser assim”, sustenta.

Aquele responsável lembra ainda que existem hoje “muitos países onde as pessoas gostariam” de ter esse direito ao voto, e muitas delas sofrem “graves consequências quando lutam por isso”.

O presidente da CNJP, organismo laical ligado à Conferência Episcopal Portuguesa, fala mais especificamente sobre a situação dos jovens, que parecem hoje muito afastados da sua responsabilidade cívica, algo que seria “importante” também ser trabalhado pela Igreja Católica.

Sobre a responsabilidade dos cristãos, em relação às eleições e às questões políticas, Pedro Vaz Patto recorda princípios como a “solidariedade e o bem-comum”.

“Aquilo que deve mover o cristão na sua ação política é que não interessa o bem pessoal mas sim o bem-comum”, que o “bem pessoal passa pelo bem da comunidade”, complementa.

(Com Ecclesia)