13 grupos de trabalho alertam para visão excessivamente ocidentalizada da realidade familiar

 O Vaticano publicou hoje os primeiros relatórios dos 13 grupos de trabalho do Sínodo dos Bispos, dos quais emerge a rejeição de uma linguagem “demasiado negativa” sobre a realidade familiar, pedindo uma abordagem “diferente e mais fresca”.

Os documentos, em cinco línguas (francês, inglês, italiano, espanhol e alemão) deixam várias propostas tendo em vista a redação do documento final da assembleia sinodal, presidida pelo Papa Francisco, incluindo a necessidade de encontrar “novas formas” de apresentar o pensamento da Igreja Católica sobre a família e o matrimónio.

Após cinco das 13 sessões de debate previstas nos chamados ‘círculos menores’ foram entregues aos jornalistas as primeiras conclusões, que valorizam a experiência de vida, muitas vezes “heroica”, das famílias cristãs que vivem os valores propostos pela Igreja.

Os participantes analisaram a primeira parte do documento de trabalho, “A escuta dos desafios da família”, e sugerem, entre outras, uma ação pastoral “nova e criativa” junto das famílias, incluindo as que têm o “coração ferido”.

 

Os relatórios multiplicam observações sobre o que consideram ser uma visão excessivamente ocidental ou mesmo “eurocêntrica” da base de trabalho para a 14ª assembleia geral ordinária do Sínodo, que sucede à reunião extraordinária de 2014.

Vários grupos de trabalho alertam para o perigo de se cair num discurso abstrato ou “idealizado” sobre a família, alheio à sua realidade.

A pastoral familiar é apresentada como a “ação da Igreja que se realiza na família e pela família”, sendo assumidas falhas na formação cristã e na preparação para o matrimónio.

A necessidade de um “olhar positivo sobre a sexualidade” e de uma “linguagem compreensível”, “simples”, que favoreça o diálogo com a sociedade em geral são outras das propostas presentes nos documentos.

O grupo de trabalho alemão propôs uma “tradução cultural”, para que as proposições teológicas sejam percetíveis também num “ambiente secular”, porque a família e o casamento são realidades que ultrapassam “fronteiras culturais e religiosas”.

Os relatórios deixam várias observações sobre a metodologia de trabalho e críticas ao estilo adotado pelo documento de trabalho (instrumentum laboris), chegando mesmo a afirmar-se que “o Papa Francisco e o povo da Igreja mereciam um texto melhor”.

Vários grupos alertam para as consequências da chamada “ideologia do género” e pedem melhores políticas familiares, em resposta a problemas de habitação ou emprego.

Estas sínteses vão voltar a acontecer nas próximas duas semanas, num total de 39 relatórios de grupos de trabalhos.

A assembleia sinodal mostrou-se solidária com as famílias do Médio Oriente e os cristãos que sofrem com a guerra e a perseguição religiosa.

A mesma proximidade é manifestada aos que são forçados a emigrar para fugir da pobreza ou de conflitos armados.

Os participantes denunciam as consequências do aborto, da pornografia e do uso indevido da biotecnologia, ao mesmo tempo que pedem mais atenção para as pessoas com deficiência e os idosos.

Várias passagens destes relatórios deixam a entender que os próximos 15 dias podem ser “insuficientes” para completar todo o trabalho que é necessário até ao fim do Sínodo.

CR/Ecclesia