Iniciativa do Patriarcado de Lisboa, adotado pelas estruturas nacionais da Catequese,  foi apresentado ontem na ilha Terceira

Há um novo projecto experimental de itinerário catequético para jovens adolescentes, do 7ª ao 10 º ano, que tem como objetivo mobilizar os jovens para a Jornada Mundial da Juventude de 2022, mas visa sobretudo alterar o paradigma da catequese redimensionando o papel do catequista e do catequisando.

O projecto “Say yes- aprender a dizer sim” é uma iniciativa do Patriarcado de Lisboa, que foi apresentada ontem,no Seminário Episcopal de Angra, aos catequistas da ilha Terceira, pelo Pe Tiago Neto que salientou tratar-se de “uma proposta pedagógica” que “ procura repensar o que é a catequese dos adolescentes, a partir das inquietações do papa”, transformando um pouco os vários papeis dos agentes da pastoral catequética.

“O catequista deve encontrar-se com a razão de ser do seu próprio ministério e para isso é preciso que faça um caminho de discernimento, ciente de que não é apenas um transmissor mas alguém que no seu contexto faz acontecer o encontro com Jesus”, afirmou ao Igreja Açores o Pe. Tiago Neto. Por outro lado, desafia-se o adolescente a ser “dinamizador do seu próprio caminho”.

A oportunidade para repensar tudo isto surgiu naturalmente com a JMJ e a necessidade de preparar os jovens para esse grande momento.

“É um caminho para chegar a esse grande acontecimento de encontro, formativo e cultural que a Igreja Católica dinamiza ao longo de uma semana” refere o sacerdote.

“O itinerário é um percurso pela história das jornadas, seguindo aquilo que são os passos essenciais da catequese: a atenção à experiência da vida, a iluminação dessa experiência no encontro com a Palavra de Deus e na oração, o compromisso generoso na missão”, acrescentou o Pe. Tiago Neto.

O diretor do Setor da Catequese do Patriarcado explica que esta proposta está estruturada em três anos, cada um com cinco etapas, um total de 15 etapas, que correspondem aos encontros dos jovens com os Papas – João Paulo II, Bento XVI e Francisco – nas edições internacionais das Jornadas Mundiais da Juventude entre 1986 e 2019.

Segundo o sacerdote, o esquema de trabalho, “fundamentalmente, é um esquema mensal”, por exemplo, na primeira semana, os adolescentes vão ter contacto com a mensagem que o Papa escreveu aos jovens para um determinado encontro; na segunda semana trabalham um texto bíblico fundamental sobre essa temática, “depois de serem confrontados com a mensagem, com aqueles desafios que a mensagem traz, hoje”.

Nas duas últimas semanas de cada mês, os adolescentes têm uma experiência de oração e depois começam a desenhar e a construir um projeto de intervenção, que “é a grande novidade” deste projeto com adolescentes “ao envolvê-los e dar-lhes a possibilidade de serem protagonistas do seu próprio caminho catequético”.

“Os adolescentes vão poder escolher formas concretas para pôr em prática aquilo que são os exercícios de missão, de evangelização, de serviço à comunidade e de crescimento em grupo”, salienta o sacerdote sobre um projeto que ajuda “a combater aquela noção da catequese muito escolar e que acaba”.

Este projeto foi adotado pelo Secretariado Nacional da Educação Cristã e acaba por se inserir numa proposta mais abrangente de cariz vocacional, inspirado no lema que o Papa lançou para a JMJ “Maria levantou-se e partiu apressadamente”.

Neste itinerário os adolescentes vão conhecer “Veríssimo, Máxima e Júlia”, três mártires de Lisboa do tempo romano “em vídeo e numa linguagem atual” e vão ter um “diário de bordo pessoal” com vários materiais para uma caminhada pessoal e em grupo.

“É um projeto experimental, com dinamismo, para que as pessoas no terreno possam dar ecos daquela que é a sua experiência e que o caminho para uma maior motivação dos jovens é por aqui”.

O projecto Say yes também será apresentado em São Miguel.

(Com André Furtado)