Este ano sairam cerca de quatro dezenas de irmãos

Os romeiros da ilha Terceira iniciaram hoje a sua nona Romaria Quaresmal, depois da celebração de uma eucaristia às 4h00 da madrugada no Santuário de Nossa Senhora da Conceição, em Angra do Heroísmo.

Os romeiros da Terceira dão a volta à ilha durante cinco dias, percorrendo o maior número de lugares de culto possível, sendo que os templos marianos são paragem obrigatória, e ao quarto dia percorrem o “deserto”.

“É, sem dúvida, um dos dias mais intensos das nossas romarias pois vamos até à Santinha do Mato e, neste dia, estamos connosco e com Deus pois não vemos ninguém, não há outros barulhos senão os da natureza. É um dos momentos mais ricos para vivermos a nossa espiritualidade”, disse ao Sítio Igreja Açores o mestre do Rancho e um dos seus fundadores, Paulo Roldão.

“Nenhuma romaria é igual, apesar das orações, do percurso e dos dias serem os mesmos, nenhuma romaria é igual à outra” refere o Mestre do rancho, Paulo Roldão.

Durante a caminhada de cinco dias fazem muitas meditações e celebrações da palavra. Este ano, tal como nos anteriores, vão ter a companhia e a ajuda  espiritual do Pe Dinis Silveira (que estuda em Roma), que mais uma vez integra o rancho.

“É uma mais valia que não podemos dispensar” diz o mestre que há três anos lidera este rancho de Romeiros, que cumpre “à risca” o regulamento do Movimento de Romeiros de São Miguel.

A única coisa que muda em relação aos cerca de 10 ranchos que estão a percorrer esta semana a ilha de São Miguel é a pronúncia, pois as orações, as intenções e as cantadas são as mesmas.

“Não importa a ilha o que importa é o significado da nossa intenção e ela é comum à de outros irmãos” disse Paulo Roldão.

De resto, as romarias existem noutras ilhas, “desde sempre”. Na Terceira, inclusive, há as casas dos romeiros (ainda existem duas em Santa Bárbara e na Santinha do Mato) “o que indicia que também se faziam romarias”.

Embora com uma dimensão completamente distinta, a história reza que as romarias quaresmais se realizavam com frequência em todas as ilhas, embora São Miguel tivesse sido aquela onde elas se mantiveram ininterruptamente e com uma dimensão mais significativa.

Os primeiros registos de romarias na Terceira, ocorrem juntos às Ermidas ou aos pequenos nichos construídos para ali colocar a imagem encontrada: São Roque (São Bento), que poderá ser um dos locais onde se terá realizado a primeira romaria – tinha Casa de Romeiros.

Também na Senhora da Esperança (Porto Judeu); Santo Amaro (Ribeirinha); Senhora da Ajuda (Santa Bárbara); Santinha do Mato (Cinco Picos); Nossa Senhora de Guadalupe (Agualva) e Nossa Senhora dos Milagres (Serreta), estas 3 últimas tinham também a sua Casa de Romeiros – mantendo-se apenas hoje com a mesma configuração a existente em Santa Bárbara – Senhora da Ajuda, tal como refere o Pe Alfredo Lucas na sua obra “As Ermidas da ilha Terceira”.

As casas de romeiros, particularidade desta ilha, terão surgido no inicio do séc XVIII para acolher os peregrinos durante a pernoita nesses lugares.

Este grupo formou-se em 2006, depois de um dos irmãos fundadores ter integrado algumas romarias quaresmais em São Miguel. Após a preparação inicial e de terem recebido a ajuda de romeiros de São Miguel, o rancho nunca mais parou a sua atividade.

 

Rege-se pelo mesmo regulamento do Movimento de Romeiros de São Miguel, rezam da mesma forma e preparam-se com o mesmo empenho e seriedade.

Este ano além do retiro, em janeiro, fizeram mais sete encontros de preparação.

O rancho de romeiros da Conceição deixou um convite aos irmãos que este ano não podem participar na romaria. Na página do rancho, na Internet, convidam os que não participam  a juntarem-se a eles nos momentos da eucaristia durante a semana.