Pico, São Jorge e Terceira vivem as três principais festas de verão centradas nos seus santuários

As festas ainda serão reduzidas e muito condicionadas mas, este verão , os peregrinos dos três Santuários diocesanos do Bom Jesus (Pico), Santo Cristo da Caldeira (São Jorge) e Serreta (Terceira) já poderão viver a novena e a festa de forma presencial. Os três santuários diocesanos celebram as respetivas no verão e são sempre lugares de peregrinação e de grande atração nos Açores.

A primeira festa começa no dia  27, com o inicio do novenário preparatório da Festa do Senhor Bom Jesus Milagroso, em São Mateus, no Pico. Com o tema “‘Senhor Bom Jesus: Caminho, Verdade e Vida serás a nossa esperança’”, a festa será pregada por Monsenhor José Constância, vice-reitor do Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres e, no dia 6 de agosto, dia principal da festa, a solenidade será presidida pelo bispo emérito de Angra, D. António de Sousa Braga. No último dia da novena, a 4 de agosto, dia de São João Maria Vianney (padroeiro dos sacerdotes),  o prelado será homenageado pelas bodas jubilares da sua ordenação episcopal há 25 anos.

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Todas as celebrações decorrerão no interior do Santuário, à exceção da Missa solene da festa, que será campal. No entanto, para garantir a distância física, durante a novena, s peregrinos que não puderem participar dentro do Santuário poderão acompanhar as celebrações no adro onde serão colocadas colunas de som, além da transmissão em direto pelos órgãos de comunicação, como a Rádio Pico.

No contexto da pandemia de Covid-19, não se vão realizar as tradicionais procissões e dentro do santuário vão observadas todas as regras de segurança e higiene, “devendo os peregrinos respeitar as indicações dos acolhedores”.

A Festa do Senhor Bom Jesus do Pico vai terminar com a procissão de regresso da imagem à sua capela; este ano, também não vai percorrer as principais artérias de São Mateus.

“Iremos celebrar como for possível e estes tempos exigem”, disse o reitor do santuário açoriano, o padre Marco Martinho.

“Peço a todos os peregrinos que respeitem as regras de segurança” refere o reitor do Santuário Padre Marco Martinho.

“Sei que para muitos é triste não poderem viver estas festas como gostam. Exorto-os a não desanimarem e a colocarem as suas preces ao Bom Jesus, para que Ele nos livre desta pandemia e, no próximo ano, possamos estar todos no Santuário em ação de graças”, adianta ainda o sacerdote.

“Temos de ter esperança e ao mesmo tempo cumprir as regras de segurança”, diz o padre Marco Martinho.

As festas do Senhor Bom Jesus Milagroso são uma das “mais emblemáticas manifestações religiosas” desta Igreja local e do Arquipélago dos Açores.

A festa remonta a 1862, quando o emigrante Francisco Ferreira Goulart trouxe do Brasil uma imagem do Senhor Bom Jesus, informa ainda o sítio online ‘Igreja Açores’.

Serreta une-se à caminhada Sinodal e sublinha Jesus como Caminho, Verdade e Vida

O Santuário mariano da Serreta, na ilha Terceira, celebra a sua festa maior a 12 de setembro. E, pelo segundo ano consecutivo a imagem não percorrerá as ruas da freguesia.

O novenário preparatório da festa que tem como tema “Com Maria, a beleza de caminharmos juntos em Cristo, Caminho, Verdade e Vida” arranca no dia 3 de setembro e será pregado pelo padre José Júlio Rocha, pároco de Porto Martins e Fonte Bastardo e assistente da Comissão Diocesana Justiça e Paz. Entre os dias 10 e 12 de setembro a Igreja estará sempre aberta com missas à meia noite dos dias 10 e 11, presididas pelo padre Pedro Lima, pároco de Santa Lúzia, mas os peregrinos não poderão permanecer em Vigilia. No dia festa haverá quatro missas solenizadas: às 9h00 (padre Gaspar Pimentel, santa Lúzia da Praia); às 11h00 (padre Nelson Pereira), às 14h00 (padre Davide Barcelos, Arrifes) e às 16h00 (D. João lavrador, bispo de Angra), de “forma a que todos possam participar sem problemas”.

O reitor do Santuário, padre João Pires, desafia os peregrinos a encontrarem em Nossa Senhora a intercessora e o colo para depositarem as suas angústias.

“Confiemos que temos Mãe, como nos lembrou o Papa Francisco no Centenário de Fátima” recorda o sacerdote sublinhando há dificuldades que resultam da pandemia e que estão a deixar as pessoas apreensivas.

“Os problemas económicos, de saúde, familiares e de estudo ou de perspectivas de futuro agravaram-se. No entanto Nossa Senhora continua com a sua mão aberta a oferecer-nos Jesus Caminho, Verdade e Vida”, salienta.

“Todos os dias o Santuário, entre as 18h00 e as 20h00, terá, impreterivelmente, dois sacerdotes para acolherem os peregrinos no sacramento da Reconciliação ou através de uma simples escuta ou conversa transmitirem algum conforto que minimize os efeitos colaterais e devastadores desta pandemia”, assegura ainda.

A solenidade de Nossa Senhora dos Milagres teve origem no século XVII e está ligada a vários momentos difíceis da história do arquipélago e de Portugal, com as comunidades a virarem a sua esperança para Maria.

De modo particular destaca-se o período em que Portugal se viu envolvido na guerra entre a França e a Espanha contra Inglaterra. Numa altura em que a Ilha Terceira não tinha qualquer tipo de fortificações e estava quase indefesa,  a esperança das autoridades e das pessoas voltou-se para a intercessão de Nossa Senhora dos Milagres, cuja imagem estava colocada na igreja das Doze Ribeiras.

Ficou a promessa de que “caso a ilha não sofresse qualquer investida inimiga”, a comunidade iria promover uma festa anual em honra de Nossa Senhora, o que veio a acontecer.

A primeira celebração dedicada a Nossa Senhora dos Milagres aconteceu a 11 de setembro de 1764 mas esta devoção afirmou-se definitivamente a partir de 1842.

Se esta peregrinação começou com um pedido de intercessão ou proteção contra a guerra, hoje as orações das pessoas vão sobretudo ao encontro de dificuldades sociais como o desemprego, a doença e a crise nas famílias.

Estima-se que, ao longo destes dias, passem por este Santuário da Serreta, que há 15 anos foi elevado à condição de santuário diocesano pelo então bispo de Angra, D. António de Sousa Braga, cerca de duas dezenas de milhar de peregrinos.

São Jorge assinala Santo Cristo da Caldeira

A festa, a 5 de setembro, será celebrada uma vez mais na Fajã da Caldeira do Santo Cristo, freguesia da Ribeira Seca, concelho de Calheta. A Missa campal na praça contígua ao Santuário será o ponto alto da festa, não se realizando a tradicional procissão, devido à pandemia que atravessamos. No entanto mantém-se o sermão da praça. No dia 30 de agosto, começa uma semana preparatória, com a celebração do sacramento da reconciliação e da Missa com pregação. Habitualmente aas celebrações são asseguradas pelo reitor, padre Manuel António dos Santos e pelo padre Diniz Silveira, pároco do Topo e Santo Antão.

Na Fajã do Santo Cristo vivem apenas, todo o ano, meia dúzia de pessoas, mas nesta época esta `reserva´ da ilha de São Jorge recebe inúmeras pessoas, especialmente jovens que se encarregam de animar as Missas, sobretudo a eucaristia solene da festa.

O ano passado por causa da pandemia não houve procissão.

A lenda que deu origem ao culto conta que um pastor deixou o seu gado a pastar, descendo a uma lagoa onde apanhou lapas e ameijoas. Ao parar para descansar contemplou um objeto na água a flutuar e viu que era uma imagem em madeira do Senhor Santo Cristo. Surpreendido com o achado, pegou na imagem, molhada e inchada de estar na água, e levou-a para terra seca. Ao fim do dia, quando voltou para casa fora da fajã, levou a imagem e colocou-a em local de destaque numa das melhores salas da sua casa. No outro dia de manhã a imagem tinha desaparecido. Depois de procurarem por toda a casa e de já terem dado as buscas por terminadas, ele foi de novo encontrado, dias depois, na mesma fajã e local onde tinha sido encontrado da primeira vez. Foi levado várias vezes para o povoado fora da rocha, e durante a noite a imagem voltava sempre a desaparecer, até que alguém disse: “O Santo Cristo quer estar lá em baixo na fajã à beira da caldeira, pois que assim seja”.

A Lenda da Caldeira de Santo Cristo é uma tradição da ilha de São Jorge e relaciona-se com as crenças populares numa terra onde a luta do homem com a natureza foi constante e onde, por séculos, as necessidades básicas do dia-a-dia foram prementes.