Igreja açoriana faz festa com vigília na noite de São João, entre marchas e coroações

É porventura a noite mais longa do calendário da ilha Terceira e na cidade património, Angra do Heroísmo, onde está a Catedral diocesana, a festa reúne terceirenses, micaelenses , picoenses e povo de outras ilhas em torno de São João, o santo protetor dos casados e dos doentes.

Duas celebrações litúrgicas, às 11h00 e às 18h00, presididas pelo Vigário Geral e pelo bispo diocesano, D. João Lavrador, respetivamente assinalam esta data festiva que também será pontuada pela já habitual coroação das sanjoaninas, que reúne a maior parte dos impérios da ilha Terceira, com cerca de 70 irmandades.

Esta festa realiza-se no dia 1 de julho, encerrando assim as Sanjoaninas, com a missa de coroação. Depois segue-se a procissão, que partirá do Liceu de Angra até à Sé e depois a coroação `armar-se-à´ na Sé até ao Alto das Covas, onde será o bodo.

Este ano as festas têm como tema “Angra, berço do Liberalismo”. Este ano são esperadas 37 marchas, contando com cinco infantis, mas cinco chegam de outras ilhas: duas de São Miguel, uma de São Jorge, uma do Pico e uma do arquipélago da Madeira.
Para Guido Teles, vereador do município de Angra do Heroísmo, que organiza as festas, este interesse resulta da afirmação das festas não só nos Açores, mas no país e junto das comunidades emigrantes.

A festa de São João é, de facto,  uma das mais animadas das ilhas,  e do ponto de vista celebrativo, assinala o nascimento de São João Batista.

Para o ouvidor de Angra, cónego Ricardo Henriques, esta alegria infere-se do próprio Evangelho e da história do nascimento deste santo da igreja, que batizou Jesus. João nasceu numa família em que os pais já tinham uma idade avançada e o seu nascimento foi visto como uma graça. É esse espirito de alegria “que contagiou a história” refere o sacerdote que é pároco da Sé e que irá presidir à coroação das Sanjoaninas, no dia 1 de julho.

Também o ouvidor de Vila Franca do campo, concelho de São Miguel,  onde o São João é festejado com enorme intensidade, fala em tempo de alegria e de encontro entre famílias.

Reza a história que a igreja dedicada a São João, na Vila, foi uma das poucas que ficou de pé na altura do terramoto de 1522 e por isso todos os anos se faz festa nesta zona da antiga capital da ilha. Acresce, refere o Pe. José Borges que se cumpre neste calendário uma das profecias do Evangelho.

“No solstício de verão a igreja celebra três nascimentos: Jesus no Natal, São João em Junho e depois Nossa Senhora. Este tripé faz toda a diferença:  daqui até ao Natal os dias decrescem; a partir do Natal até ao São João os dias começam a crescer. Isto é, o nascimento de Jesus foi a Boa Nova que enche e ilumina a vida” refere em declarações ao Igreja Açores.

Também nas Flores, o São João marca pontos com arraial e marchas na Ribeira dos Barqueiros onde outrora esteve prevista a construção de uma igreja dedicada a este Santo mas que nunca chegou a ser terminada.

“Fazemos a festa junto às paredes que ainda restam dessa construção que nunca foi terminada e onde se localiza o Império de São João” lembra Lília Silva, escuteira nas Flores.