Livro do Pe Agostinho Pinto revela a faceta reparadora da religiosa clarissa que impulsionou o culto do Senhor Santo Cristo dos Milagres

“Duas Almas Gémeas: Santa Margarida e Madre Teresa da Anunciada” é o título do livro do padre do Sagrado Coração de Jesus, Agostinho Pinto, que foi lançado esta segunda feira na Igreja do Santuário do Senhor Santo Cristo, com a apresentação do Bispo de Angra, D. António de Sousa Braga.

O responsável máxima pela igreja católica nos Açores destacou a importância deste livro para a “compreensão do sentido de misericórdia divina tão sugestivamente revelada no Ecce Homo, tão bem retratada na imagem do Senhor Santo Cristo” , cujo culto a Madre Teresa soube difundir e aprofundar. Por isso diz D. António de Sousa Braga no ano em que o Papa convocou o Jubileu da Misericórdia, “seria bom não perdermos de vista esta publicação”.

O livro resulta de uma investigação sobre a vida de Santa Margarida e de Madre Teresa da Anunciada, “que é coincidente na maioria dos aspetos” desde logo a sua contemporaneidade, o facto de terem entrado no mesmo dia para o convento, de viverem as mesmas dificuldades e tribulações mas, sobretudo “pelos esforços que fazem para dar a conhecer um Jesus humano que ama e deve ser correspondido”.

“ Para além das coincidências ambas tinham este desejo reparador a partir de contextos diferentes: mostrar que Deus tem coração humano, que palpita, que nos ama e nós temos de ser capazes de devolver e de valorizar esse amor, correspondendo-lhe”, disse ao Sítio Igreja Açores o autor do livro.

A investigação começou ainda no tempo do anterior Bispo de Angra, D. Aurélio Granada Escudeiro, que lhe pediu para fazer uma autobiografia da religiosa. Na altura “não apreciava a Madre Teresa porque tinha dela a ideia de uma religiosa da piedade” mas à medida que fui lendo os seus escritos e os fui decifrando deparei-me com uma mulher de fibra, vigorosa e assertiva”, refere o Pe Agostinho Pinto.

“A imagem que nos passam desta mulher não corresponde ao seu real valor. Na juventude pode ter sido dependente e limitada mas à medida que a sua fé foi amadurecendo e ela tinha a plena convicção que o que defendia era a vontade do Senhor Santo Cristo afrontava toda a gente, inclusive o Rei”, diz o sacerdote do Sagrado Coração de Jesus não escondendo “uma verdadeira paixão” pela vida e obra desta clarissa.

“Se ela estivesse mais perto de Roma já estava nos altares. A distância e a falta de quem trabalhe de forma árdua e com o coração nesta causa têm impedido que o processo avance” refere o sacerdote que não enjeitaria ser postulador da causa da Madre Teresa da Anunciada, já declarada Venerável da Igreja.

“É preciso alguém que leve isto no coração, que se dedique de alma para que o trabalho avance” diz o sacerdote.

“Teresa da Anunciada era uma discípula da paixão mas a dimensão reparadora fez dela uma mulher vigorosa”, ressalva o Pe Agostinho Pinto afirmando que compara as duas- Teresa e Margarida, com onze anos de diferença-  “até como forma de dar um empurrão” à causa da Madre Teresa.

A Diocese está neste momento a desenvolver “todos os esforços para nomear mais rapidamente possível um novo postulador” que terá de “residir nos Açores, particularmente em São Miguel”, disse ao Sítio Igreja Açores o Bispo de Angra

“Ela já é santa só falta que a igreja o reconheça”, diz o Pe Agostinho Pinto.

“ A única diferença que há entre ela e Santa Margarida é que Teresa nunca quis ver o rosto do Senhor. Ela repetia nos seus escritos `Senhor eu não te quero ver, deixa-me amar-te pela fé´e essa é a única diferença em relação ao processo de conhecimento de Deus”, refere ainda o Pe dehoniano.

“Ela experimenta as revelações, as locuções e os exercícios espirituais, mas refere que não O quer ver neste mundo- quero amar-Te sem te ver”, recorda o Pe Agostinho Pinto.

Ainda na comparação das duas, o sacerdote lembra que ambas instituíram uma festa mas “não conseguiram a correspondência do tal amor total que defendiam para Deus”.

O livro editado pelo grupo Ecce foi lançado hoje, teve  “algumas dificuldades” resultantes da complexidade de alguns escritos, “por causa do estilo de escrita corrida , sem capítulos, sem grande pontuação e de algumas expressões próprias da vida monástica” que no entanto, foram “ultrapassadas com alguma facilidade”.

“Escolhemos este dia- segunda feira do Senhor Santo Cristo- de uma forma simbólica pois tratando-se das Festas do Senhor Santo Cristo fazia sentido lançar a obra de Madre Teresa nesta altura”, conclui o Padre Agostinho Pinto.

Madre Teresa da Anunciada nasceu e foi batizada em 1658 na freguesia de São Pedro, na Ribeira Grande ilha de São Miguel.

Entrou para o Convento da Esperança, onde iniciou o seu noviciado em 1681. Morreu aos 80 anos, com fama de santidade.

O Pe Agostinho Pinto, autor do livro que hoje é publicado, pertence à congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus e serviu mais de duas décadas na diocese de Angra, como sacerdote na paróquia do Livramento, em Ponta Delgada, como assistente do Movimento de Romeiros de São Miguel e professor de Educação Moral e Religiosa Católica. Está atualmente como pároco in solidum em várias paróquias do Algarve, com residência em Vila Real de Santo António